O dilema de Dário e Bauer: disputar o governo ou buscar protagonismo no Senado Marcos Oliveira / Agência Senado, Divulgação/Agência Senado, Divulgação

Os senadores Paulo Bauer (PSDB) e Dário Berger (PMDB) conversaram bastante no plenário do Senado na última quarta-feira

Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado, Divulgação / Agência Senado, Divulgação

Os senadores catarinenses Dário Berger (PMDB) e Paulo Bauer (PSDB) têm um dilema interessante para 2018. Ambos ganharam prestígio no Senado ao longo do último ano e condições de ascender a uma posição de protagonismo nas discussões que não se via desde que Jorge Bornhausen deixou a casa, em 2007. Aliás, com raras exceções, o papel dos catarinenses em ambos os espaços legislativos do Congresso costuma tender à periferia do poder.

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O dilema de Dário e Bauer é a continuidade nesse processo de inclusão no concorridíssimo alto clero do Senado ou a disputa pelo governo do Estado em 2018. Ambos podem ser considerados nomes naturais para governador, por já terem disputado eleições majoritárias. O peemedebista não está colocado hoje no jogo sucessório e apoia a pré-candidatura de Mauro Mariani (PMDB), mas passou a enviar sinais de que pode voltar ao jogo caso o parceiro desista da empreitada. Seria um contra-ataque aos grupos peemedebistas que manobram nas sombras ou fora delas pela pré-candidatura não-anunciada do prefeito joinvilense Udo Döhler.

A situação de Dário é confortável porque ainda tem quatro anos de mandato pela frente. Fora da disputa e engajado pelo candidato da legenda, perderia a pecha de não ser partidário. Sairia maior, qualquer que fosse o resultado. E manteria a posição em Brasília, onde ganhou projeção desde que foi eleito, em maio, presidente da poderosa Comissão de Orçamento.

No caso de Bauer, o dilema invariavelmente envolve as urnas. Mirando o governo ou a reeleição, o tucano precisa encarar e vencer uma disputa complicada em 2018. Bauer aparece bem colocado nas pesquisas realizadas até aqui. É lembrado por ter disputado contra Raimundo Colombo (PSD) as eleições de 2014, quando alcançou 30% dos votos.  

Ele também ganhou projeção este ano, especialmente após assumir a condição de líder do PSDB no Senado. Na convenção nacional, no sábado, foi eleito como um dos vice-presidentes do partido. Renovando o mandato ao Senado, faria história como primeiro catarinense reeleito na história contemporânea - desde Vidal Ramos, na República Velha, para ser mais exato - e poderia seguir em busca de protagonismo entre os tucanos nacionais, especialmente se Geraldo Alckmin (PSDB) vencer as desconfianças e as eleições presidenciais. 

Há quem aposte no caminho da reeleição caso o PSDB catarinense encare a disputa em chapa pura ou entre em uma ampla aliança - com PSD, PMDB ou ambos. 

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