Criança deve participar da compra do material escolar, diz especialista Fernando Gomes  / Agência RBS/Agência RBS

Foto: Fernando Gomes / Agência RBS / Agência RBS

Quando inicia a movimentação no comércio de volta às aulas respiro aliviada por não ter mais filhos em idade escolar. Que trabalheira que era! Cada filho trazia uma lista maior do que a outra, e lá íamos nós para a rua em busca dos melhores preços. Cadernos, cartolinas, lápis, giz de cera, cola, tesoura, folhas de ofício... Coisa que não acabava mais. E depois ainda precisava comprar os livros didáticos, nada baratos. O tempo passou, mas acho que isso não mudou. Os pais continuam sendo obrigados a fazer muita pesquisa de preço antes de comprar o material escolar, e a negociar com os filhos o que pode ou não ir para o carrinho de compras.

Pesquisa da Fecomércio/SC, que traça o perfil do consumidor para este período, mostra que cerca de 50% dos pais catarinenses não levam os filhos ou dependentes nas lojas para escolher o material escolar, porque isso pode elevar muito as despesas.  E geralmente é o que acontece: as crianças e adolescentes escolhem os cadernos mais caros, as mochilas mais incrementadas...  Se os filhos são pequenos, também acho que o melhor é deixá-los em casa, porque ainda é difícil para eles entenderem que não podem comprar tudo o que veem pela frente, nem escolher sempre o que é mais bonito, sem importar o preço. Mas para os mais crescidinhos, acompanhar as compras do material pode ser uma ótima oportunidade de aprender importantes lições sobre economia doméstica.

As pedagogas Roberta e Taís Bento, do portal ¿Socorro! Meu filho não estuda¿,  acreditam que  envolver o  filho nesta tarefa, desde o orçamento até a pesquisa de preços e compra do material, pode trazer vários benefícios.  Segundo elas, ao ter que escolher entre modelos de mochila, caderno ou canetas disponíveis, considerando primeiro se cabem no valor previsto, a criança ou adolescente assume a responsabilidade de cuidar melhor do material, e isso traz amadurecimento. Também melhora a autoestima, porque o filho vai sentir que você confia na sua capacidade de compreensão e participação.  

Uma ideia é propor um orçamento e deixar que o filho quebre a cabeça para otimizar o que tem disponível. Por exemplo: ao reciclar materiais do ano anterior,  abre a possibilidade de gastar mais com o que precisa ser comprado. Para que a experiência seja ainda mais impactante, diz Roberta Bento, vale deixar que ele passe o material no caixa e efetue o pagamento também. 

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