Síndrome do jaleco branco: medo de ir ao médico pode ser fobia /

Iatrofobia. Você já ouviu esta palavra? Sabe o que ela significa? Provavelmente não, assim como eu não sabia até ler sobre o assunto. É o mesmo que a ¿Síndrome do Jaleco Branco¿, ou, explicando melhor: medo de ir ao médico. Muita gente sofre deste mal. Os motivos são diversos, explica a psicóloga Karla Carbonari, incluindo a falta de confiança nos profissionais, experiências negativas vivenciadas pela pessoa ou que se tornaram conhecidas, como notícias sobre cirurgias malsucedidas e erros técnicos, esquecimento de instrumentos dentro do corpo do paciente, medicação administrada equivocadamente, entre outras. Pode ser também simplesmente medo de descobrir que está doente.

 Quem tem Iatrofobia tenta evitar de qualquer forma o contato com médicos e outros profissionais da saúde. E, quando é obrigado a ir, chega a passar mal. Há alguns dias, numa consulta de rotina, o cardiologista estranhou que a minha pressão estivesse mais alta do que normalmente, e disse: ¿Pode ser que você tenha a síndrome do jaleco branco. Muita gente apresenta aumento da pressão só de olhar para o aparelho¿. Não é o meu caso, com certeza, mas pelo jeito essa fobia é bem mais comum do que eu pensava. ¿Eu estava me sentindo muito bem, mas foi só o médico me chamar para a consulta que o coração disparou e comecei a suar frio, com sintomas típicos de ansiedade. Minha pressão, claro, foi às alturas¿, contou um internauta, num site sobre saúde. Pouco tempo depois recebeu o diagnóstico de Síndrome do Jaleco Branco, e indicação para procurar ajuda especializada.

 O grande problema, diz a psicóloga, é que estas pessoas tendem a adiar exames médicos de rotina, recorrendo a automedicação como forma equivocada de evitar doenças ou problemas de saúde, prejudicando a prevenção e diagnóstico precoce de algumas doenças, agravando muitas vezes seu estado de saúde. Justamente porque as pessoas se recusam a consultar com profissionais da saúde, a Iatrofobia é difícil de ser diagnosticada e tratada. Mas é importante que quem sente este medo exagerado de médicos, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde, procure ajuda. Segundo a especialista, o acompanhamento psicológico é importante para reconstruir a autopercepção do paciente, e o tratamento das fobias se faz com a associação de psicoterapias e medicamentos. 

 As fobias atingem cerca de 10% da população, habitualmente se manifestando na infância ou na adolescência, podendo persistir até idade adulta, se não acompanhadas adequadamente, diz Karla Carbonari. As fobias acometem com mais frequência pessoas do sexo feminino, com exceção da fobia social, que atinge igualmente homens e mulheres. 

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