Crianças preferem jogos eletrônicos a atividades físicas e brincar na rua Mateus Bruxel/Agência RBS/

Foto: Mateus Bruxel/Agência RBS

O Ibope Inteligência realizou recentemente uma pesquisa para saber quais as atividades preferidas pelas crianças hoje em dia. A resposta já era a esperada:  o videogame e os jogos online estão mais presentes na vida delas do que os esportes e as atividades recreativas ao ar livre. Mas é preciso fazer uma ressalva: o levantamento foi feito nas grandes capitais. Talvez se incluíssem cidades de menor porte, no interior do Brasil, a resposta tivesse sido pelo menos um pouco diferente. Realmente, nos grandes centros urbanos, brincar na rua é bem complicado, principalmente por medo da violência urbana, a menos que a família more em um condomínio fechado. Quando muito, os pequenos descem para o playground, para a pracinha do prédio ou ficam no pátio de casa. Antes de tudo, é uma questão de segurança.

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No interior eu vejo crianças mais livres, jogando futebol nas ruas de paralelepípedos, sentadas no muro das casas conversando, soltando pipa nas esquinas... Mas nas cidades grandes isso é cada vez mais difícil, mesmo a gente sabendo que estas brincadeiras são muito saudáveis, e que conviver com outras crianças é importante para o desenvolvimento emocional e social de nossos filhos. Segundo a pesquisa, as crianças são cada vez mais adeptas da tecnologia, e estão inseridas totalmente no mundo digital. 

Este dado chamou a atenção da psicóloga Daniella Freixo de Faria, especialista em psicologia analítica e transpessoal. Para ela, o resultado da pesquisa é muito preocupante, uma vez que as brincadeiras ao ar livre e os esportes são fundamentais para o desenvolvimento saudável das crianças. Segundo Daniella, o foco dos pequenos nas atividades online, de forma excessiva,  pode causar isolamento e até levar a atitudes agressivas, uma vez que elas estão deixando de exercitar, por exemplo, o trabalho em equipe, que é essencial neste momento da formação da personalidade.

Isso significa qproibir as crianças de mexer em computador, jogar videogame e se conectarem através dos celulares e tablets? Também não.  O conselho da psicóloga é inserir a prática esportiva na rotina das crianças, sem quebrar totalmente o vínculo com o digital, pois isso seria ir contra a uma tendência de gerações cada vez mais conectadas. `¿Este é o desafio: criar o interesse do filho pela atividade física. O incentivo, através do exemplo, é a melhor forma¿¿, diz ela.  E a pesquisa do IBGE comprova: 72% dos filhos de pais que se exercitam também demonstram interesse em fazer atividades físicas. Este é, sem dúvida, um bom caminho.

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