Foto: Porthus Júnior/Agência RBS

Os jovens de hoje não aguentam esperar. Querem tudo pra já. Terminou a faculdade? Tem que estar fazendo sucesso e ganhando muito bem já no mês seguinte. Se não for assim, a troca de emprego é imediata. Nada de fazer carreira na mesma empresa a vida inteira, nem pensar em esperar um pouco para ver se a situação financeira melhora. Começar por baixo e ir subindo, degrau por degrau? Isso é coisa do passado. Tem que dar certo já, e se não der, é frustração na certa. Esta geração que está na casa dos 20 e poucos anos troca de emprego, de casa, de cidade ou de país, de namorado (a), de turma, enfim, de tudo, com uma rapidez impressionante. Não se prende a quase nada. Isso é bom ou ruim? Depende.

 

O lado bom é justamente a coragem de se arriscar mais  _ coisa que poucos de nós, mais velhos, tínhamos. Ainda sonhávamos em ter uma carreira estável, comprar uma casa, ter uma família, viajar uma vez por ano nas férias. Uma vida tranquila, sem sobressaltos, já estava de bom tamanho. Éramos menos ambiciosos, e não falo apenas de dinheiro. Se por um lado nossos sonhos eram mais modestos, por outro, a frustração também era bem menor. Nos contentávamos com menos, e não acho que éramos menos felizes por causa disso.

 

O lado ruim é que esta nova geração vem se tornando um poço de ansiedade. Tenho alunos de 20 anos que tomam remédios para dormir, já tiveram depressão, se angustiam e vivem preocupados porque não sabem se escolheram a carreira certa, ou se vão se dar bem no futuro, ou porque ainda não conquistaram sua liberdade financeira e moram com os pais. Alguns se frustram tão profundamente que precisam de ajuda profissional para reencontrar o equilíbrio. A mestre em psicologia Maura de Albanesi  explica que ansiedade é querer viver um futuro no agora. "O ansioso foca apenas no que ele quer alcançar no futuro, e então não consegue se organizar com o que precisa ser feito no presente. Tudo isso gera mais ansiedade. Ele vê que o tempo está passando e as coisas não estão acontecendo. Então, vive uma agonia constante¿, explica a especialista.

 

E como tratar a ansiedade? Para os casos mais graves, diz Maura, o melhor é procurar ajuda profissional.  Ela ressalta, porém,  que embora os medicamentos sejam muito importantes para reduzir e aliviar o estresse e mal-estar causados pela ansiedade, é preciso combater a raiz do problema, o que vem através do autoconhecimento. Para driblar aquela ansiedade básica que bate em todo mundo de vez em quando, ela dá três dicas: inspirar e expirar profundamente para se acalmar;  fazer uma lista das questões que precisa priorizar (mas é essencial cumpri-las passo a passo, sem pular etapas); e meditar,  que ajuda a acalmar e diminuir o estresse. 


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