CVV: 25 anos ajudando a prevenir suicídios em SC   CVV/Divulgação/ CVV/Divulgação

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João estava com uma ideia fixa: queria acabar com a própria vida. A mulher havia morrido de câncer, de forma repentina, e ele se viu sozinho no mundo. Não tinham filhos, nem pais. Entrou em depressão, começou a beber demais, perdeu o emprego em função das inúmeras faltas sem justificativa. Chegou a comprar um revólver no mercado clandestino, mas faltou coragem de acionar o gatilho. Ligou para o Centro de Valorização da Vida (CVV), onde um conhecido trabalha como voluntário.

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Ele já tinha ouvido falar muito do trabalho bacana que eles realizam lá. Depois de algum tempo de conversa (pelo telefone e de forma anônima), João já se sentia melhor. Decidiu procurar ajuda médica para se livrar da depressão. Isso foi há dois anos. Até hoje, quando se sente muito abatido e começa a ter pensamentos sombrios, logo procura conforto e conselhos com os voluntários. A história de João é apenas uma das milhares que os voluntários do CVV atendem diariamente, em todo o Brasil. 

A entidade filantrópica, sem fins lucrativos, nasceu em São Paulo em 1962, quando um grupo de jovens decidiu prestar ajuda humanitária às pessoas que pensavam em suicídio ou que necessitavam muito de apoio emocional em um determinado momento de suas vidas. Os grupos logo se espalharam pelo Brasil. Em Santa Catarina, o CVV completa nesta semana 25 anos de atuação, e um dos objetivos das ações programadas para celebrar a data é tornar a Ong ainda mais conhecida e aumentar o número de voluntários, já que a demanda é grande. 

''O objetivo dos voluntários do CVV é ouvir as pessoas que desejam compartilhar suas histórias mas que, por algum motivo, não tem quem as ouça. Por incrível que possa parecer, já que vivemos numa época de tantos avanços na comunicação, o que as pessoas mais querem é ser ouvidas, sem julgamentos, sem interferências e sem correr o risco de ver sua história ser conhecida pelos outros'', explica uma das voluntárias da entidade. O CVV é um apoio emocional, quase um primeiro socorro, para evitar que as pessoas cometam suicídio, diz. 

Para se ter uma ideia da importância desse serviço aqui em Santa Catarina, de 2010 a 2015 foram registrados 3.402 casos de suicídio. O atendimento é realizado sob total sigilo, seja pelo telefone 141, e-mail, chat ou skype, 24 horas por dia. Pessoalmente, nas sedes do CVV, apenas em horário comercial (veja no site www.cvv.org.br os endereços). Para ser voluntário é preciso somente saber ouvir e compreender aquela pessoa que está do outro da linha. O CVV atende pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos.

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