Foto: André Ávila / Agência RBS

Dia desses estava no banco, esperando minha vez de ser atendida. Sentadas à minha frente, nas cadeiras preferenciais, uma senhora idosa e a filha também aguardavam. A mais moça falava alto, então não tinha como não ouvir o que elas conversavam. A filha disse: ¿Mãe, já vamos tirar tudo o que tiver na tua conta¿. A idosa tentava argumentar que queria ficar com um pouco de dinheiro, pois poderia precisar para comprar algum remédio, por exemplo, mas a filha insistia que queria tudo. Lá pelas tantas, a senhora disse: ¿Mas tu gasta todo o teu dinheiro e depois eu é que tenho que pagar tuas contas? Isso não está certo!¿

Acompanhe as colunas de Viviane Bevilacqua

Pelo que ouvi, não é difícil perceber que a filha usa o dinheiro da aposentadoria da mãe para pagar suas contas particulares. Isso é errado? Talvez não, se for por vontade própria da idosa, mas não parecia que era isso o que estava acontecendo ali. Aquela senhora estava visivelmente contrariada, parecia mesmo estar sendo coagida e pressionada pela filha a tirar seu dinheirinho do banco. Parece absurdo, mas situações assim são muito mais comuns do que a gente imagina.

Nesta quinta-feira celebra-se o  Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, que tem como propósito criar uma consciência mundial, social e política da existência da violência contra o idoso, e, simultaneamente, disseminar a ideia de não aceitá-la como normal. Entre as várias formas de violência contra os mais velhos, está a financeira _ o que parece ter tudo a ver com o caso que estou contando aqui. Violência não é só agredir fisicamente.  Existem muitos casos também de negligência, abusos emocionais e psicológicos.

É comum o idoso sofrer quieto, sem reclamar ou denunciar, por medo.E também por vergonha de fazer a denúncia, principalmente se o agressor está dentro de casa. Ainda mais se for o filho, a filha, a nora, o genro ou o neto,  diz a terapeuta ocupacional Mariela Besse, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Quando há uma íntima relação de proximidade entre a vítima e o agressor, é mais difícil romper a cadeia de violência, explica Mariela, justificando o porquê de muitos não levarem o caso a público.

Segundo o Instituto de Longevidade, tem aumentado muito a cada ano os casos de violência contra os idosos. Só no Disque 100, serviço do governo federal, foram 62.563 denúncias de violência contra o idoso em 2015. Um crescimento de 15,8%, se comparado às 54.029 de 2014. Das 171 notificações diárias, em média, a maior parte (39%) é por omissão de cuidados em geral, dos próprios familiares. Em seguida, estão registros de violência psicológica (26,1%), abuso financeiro (20%) e violência física (13,8%). 

Leia as últimas notícias do Diário Catarinense


 Veja também
 
 Comente essa história