Foto: Divulgação/BD

Cada vez que entro em uma livraria e vejo livros de autoajuda como aqueles que dizem na capa Fique rico em 30 dias sem esforço, Seja feliz agora e sempre seguindo 10 dicas, Sucesso sem esforço é possível ou Ser um milionário só depende de você, fico imaginando se alguém acredita que é mesmo possível atingir estes ideais assim, de uma hora para a outra. Aí, leio uma reportagem que mostra que os livros de autoajuda, de todos os tipos, são os mais vendidos no Brasil, e concluo que sim, muita gente leva fé nisso. E alguns dos autores deste gênero ganham rios de dinheiro à custa de seus leitores esperançosos em mudar de vida ou serem mais felizes. A verdade é que não existem fórmulas mágicas e instantâneas capazes de trazer alegria, felicidade, união familiar, sucesso profissional e reconhecimento. Tudo o que se conquista é fruto de muito esforço. Não tem outro jeito.

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Gosto muito dos artigos escritos pelo psicólogo clínico Bayard Galvão, presidente do Instituto Milton H. Erickson, de São Paulo. Em um deles, ele diz que a indústria da autoajuda se pauta na seguinte pergunta:  Como viver bem em vários aspectos da vida de maneira imediata e (quase) sem esforço?  As respostas vendem bem, mas são reducionistas e falsas, afirma. Na verdade, a palavra autoajuda, diz ele, significa cuidar de si para ser feliz, resolvendo os próprios problemas psicológicos, emocionais, de relacionamentos ou profissionais.

Bayard é taxativo em seus argumentos: Busque ser uma boa mãe sem esforço, ter bons amigos sem dedicação, ser bem sucedido profissionalmente e financeiramente de maneira light, além de ter um corpo esteticamente atraente sem torturas gastronômicas e ''caras de dor'' no espelho da academia. Aí, então, você verá que esta autoajuda simplista vai para o ralo. E é a mais pura verdade. Nada cai do céu, a não ser chuva, estrelas cadentes e coisas do tipo. Ser bem sucedido naquilo a que a pessoa se propõe _ seja ter um corpo escultural, ser rico, tornar-se sábio, ter um casamento saudável e duradouro, educar bem os filhos, ser um profissional de mérito, ter um bom caráter e bons amigos _  não é fácil nem instantâneo, e muito menos desprovido de esforço.

Bayard, acostumado a atender em seu consultório pessoas frustradas por não conseguirem alcançar aquilo que os livros de autoajuda prometem, tem um conselho que serve a todos: Para viver uma boa vida é necessário refletir sobre si e os outros, questionar-se, estudar para se tornar um profissional de mérito, observar os próprios erros, perceber o que tem de bom em si, compreender as próprias faltas e falhas. Também é preciso aprender a saborear o que a realidade oferece, muitas vezes tomando decisões complicadas e de implicações dolorosas, sabendo lidar relativamente bem com as dores da vida e com as crises. Viver bem não é fácil e nem simples, mas é preciso aprender, até para morrer bem e degustar a vida no que, de fato, ela oferece. Plenamente de acordo.

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