Quando casei, 30 anos atrás, alguns dias da minha lua de mel passei aqui em Florianópolis. Na época morava em Porto Alegre, mas já acalenta o sonho de um dia mudar para a capital catarinense. Sempre fui apaixonada pela cidade. Nosso hotel ficava bem no Centrão, e da janela do quarto podíamos enxergar o Mercado Público e algumas das casas históricas do seu entorno. Não sei quantas fotos tiramos por ali _ e olha que naquele tempo era rolo de filme, e saía caro (especialmente para dois jornalistas em começo de carreira) revelar e copiar todas elas depois. Mas o cenário merecia. Achava tudo muito lindo, embora alguns daqueles casarões centenários já estivessem meio abandonados, parecendo esquecidos pelas sucessivas administrações municipais.

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Dez anos depois viemos finalmente morar em Floripa. No começo, me distraía cada vez que ia ao Centro. Ficava parada admirando os antigos sobrados e imaginando quem vivia ali e como era a cidade nos finais do século 19 e início do século 20, quando a maioria daquelas construções foi erguida. Depois, claro, me acostumei, e hoje confesso que poucas vezes me dou ao desfrute de ficar parada na rua, só contemplando.  Aproveito quando recebo amigos de fora para mostrar o Centro Histórico, a Catedral, o Museu Cruz e Sousa, o Mercado Público, a Praça XV, e volto a me encantar com a nossa cidade.

Esta semana fiquei sabendo de um projeto muito lindo que tem tudo a ver com o que escrevi até agora: A  artista plástica Gabriela Luft, também apaixonada por Floripa, está transformando em aquarelas as belezas naturais e culturais da nossa Capital, e vai publicá-las em um livro que será lançado em março do ano que vem. Agora em outubro, as pinturas que ela já fez participarão de uma exposição na galeria de arte do BRDE. O projeto, que tem por objetivo resgatar a história da cidade, recebeu o simpático nome de Floripa, sua Linda!  , e retratará em cerca de 250 aquarelas os pontos turísticos da cidade, como praias, igrejas, praças, fortalezas, casario e monumentos. 

Gabriela, que é natural de Floripa, diz que somente quando começou a explorar e a pintar o Centro da cidade é que se deu conta da quantidade de casas de importância histórica que ainda existem no local, mas que passam despercebidas na correria do dia-a-dia. E isso acontece com todos nós, e em qualquer cidade. Na rotina diária, esquecemos de apreciar a beleza que nos cerca, o que é uma lástima.  



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