Foto: TV Brasil / Reprodução

Estava sentada no ponto de táxi, esperando que chegasse um carro, quando sentou ao meu lado uma moça, grávida, com uma barriga enorme. Ela deu um suspiro após conseguir se acomodar, me olhou e sorriu. ''Não é fácil carregar esse barrigão por aí'', disse, muito simpática. Começamos a conversar e ela contou que tem 39 anos e esta é sua primeira gestação. Deu prioridade à carreira, concluiu há dois anos o doutorado em Química, passou um ano na Europa com o marido e agora sim, se sente pronta para ser mãe. O bebê, que se chamará Felipe, nasce no mês que vem. Chegou um táxi e deixei a moça, de quem nem perguntei o nome, embarcar primeiro, não sem antes lhe desejar uma ''boa hora'', como se dizia antigamente.

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Futuras mamães como ela, já quase quarentonas, há tempos deixaram de ser uma exceção. Muitas mulheres têm optado por postergar a maternidade, dando prioridade à carreira ou outros projetos de vida. Não é difícil entender o porquê: criar um filho exige tempo, dedicação, empenho, muitas vezes noites insones quando os pequenos estão doentes, faltas no trabalho, mudanças radicais na vida e na rotina, gastos maiores para manter a família... Pensando em todas estas situações, muitas mulheres (que não querem abrir mão da maternidade), optam por deixar os filhos para mais tarde, quando, a priori, estarão mais estabilizadas _  emocional e profissionalmente.

Dados de um levantamento feito pelo Ministério da Saúde em 2015 revelaram que 72.290 das mulheres que tiveram filhos naquele ano tinham entre 40 e 44 anos de idade e outras 4.475 estavam na faixa dos 45 aos 49. Com idade de 50 anos para cima tiveram 373 mulheres que deram à luz, e entre elas, 21 já estavam na casa dos sessenta anos de idade quando conceberam. O número de mulheres que são mães após os 40 anos de idade cresceu quase 50% nos últimos 20 anos, e a tendência é continuar aumentando.

Aí, muita gente se pergunta: E isso é bom? Há o bônus e o ônus. O bom é justamente o fato da mulher estar mais madura e menos ansiosa, podendo usufruir de maneira mais plena da maternidade. O ruim, dizem os especialistas em saúde, é que quanto maior a idade mais difícil pode ser engravidar, e além disso a gestação tem mais probabilidade de ser de alto risco. Eu acrescentaria aí uma outra questão: na meia-idade a nossa agilidade já não é mais a mesma, nem a disposição para passar a noite em claro (e estar bem no dia seguinte) cuidando de um bebezinho. Também não deve ser fácil para uma pessoa de mais 60 anos passar a noite preocupado com o filho ou filha adolescente que saiu para a balada. Mas, cada um sabe de si. O que importa é que seja felizes com suas escolhas.

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