Foto: Divulgação/Unicef

A coluna de hoje é quase que um pedido de desculpas para os papais que engravidam junto com suas companheiras. Eu conheço alguns que dizem sentir enjoos, dores e inchaços na barriga, e até mesmo desejos estranhos, assim como acontece com as gestantes. Sempre dei risada e achei que era bobagem, embora eles jurassem que estavam mesmo tendo sensações de mulher grávida. Pois agora descubro que isso não é incomum, e tem até nome: Síndrome de Couvade. O médico obstetra Alberto D¿Áuria explica que a ansiedade pela chegada do bebê, aliada a uma forte ligação afetiva com a parceira, pode transferir para o marido uma série de sensações gestacionais. Não se trata de uma patologia, mas em alguns casos eles apresentam mesmo sintomas físicos como ganho de peso, enjoos, desejos e mudanças de humor, assim como as futuras mamães.

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Em 1865, um antropólogo francês utilizou o termo Couvade pela primeira vez para descrever os hábitos observados em comunidades primitivas. Os homens dessas tribos participavam de rituais imitando" suas mulheres grávidas, simulando as dores do parto e a amamentação. Algumas vertentes afirmam que a síndrome é uma forma inconsciente do homem reduzir as diferenças sexuais entre os dois genitores que ocorrem durante a experiência da gravidez e do parto. Pesquisas indicam que a metade da população de futuros pais (54%) desenvolve alguns sintomas relativos à Síndrome de Couvade. 

Com certeza isso é resultado de uma transformação social importante, que fez com que os pais passassem a participar bem mais da gravidez. Hoje, grande parte deles acompanha sua mulher nas consultas e no pré-natal, participa dos cursos de gestante e faz tudo o que pode para acompanhar todo o processo, o que o torna muito mais próximo tanto da companheira quanto do filho que está chegando. Alberto D¿Áuria defende a necessidade de acolhimento e inserção do pai na vida do bebê desde os primeiros meses de gravidez, e sua participação deve ser ainda mais incentivada e garantida após o nascimento da criança. 

''No pós-parto, é fundamental que o papai participe de atividades como o banho do bebê, a troca da fralda e as consultas pediátricas, tudo isso vai ser muito importante para criação do vínculo com seu filho'', explica o obstetra. E isso é, felizmente, cada dia mais comum. A enfermeira Soninha Silva, que realiza curso para casais em Florianópolis, buscando incentivar a paternidade ativa e consciente, também diz que os novos pais mais participativos experimentam um aumento nos hormônios estrogênio, oxitocina, prolactina e glicocorticoides, de acordo com estudos realizados pela Universidade de Princeton, em Nova Jérsei (EUA). Os pesquisadores acreditam que cuidar de uma criança remodela o cérebro dos pais, fazendo-os mostrar os mesmos padrões de engajamento cognitivo e emocional que são vistos nas mães.

O mundo mudou, isso é certo, assim como o papel social das mulheres e dos homens, surgindo  novos modelos familiares. O papel do pai na sociedade e na família evoluiu, a divisão de tarefas e responsabilidades ficou mais equilibrada, o pai deixou de ser visto apenas como o provedor. Todos só têm a ganhar com isso, homens, mulheres e, claro, os filhos, que hoje convivem muito mais com seus pais, criando laços ainda mais profundos. Portanto, atenção gestantes: Se seus companheiros começarem a reclamar de enjoos e tiverem desejo de comer jaca verde às quatro da madrugada, nada de dar risada ou achar que o moço está ficando meio pirado. São os hormônios dele avisando que a paternidade está próxima.

A todos os papais _ e de forma muito especial ao meu e ao pai dos meus filhos _ desejo um  Dia dos Pais muito feliz.

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