Foto: Divulgação/BD

Há alguns dias recebi um e-mail de um pai divorciado, relatando seu drama. A ex-mulher, que ficou com a guarda do filho do casal, está dificultando o máximo possível as visitas a que ele teria direito. Esse tipo de problema é muito mais comum do que se imagina. Na frente do juiz, na separação, tudo fica acertado bonitinho, mas depois começam os desentendimentos, porque o cônjuge que ficou com a guarda da criança se acha no direito _ talvez por vingança ou raiva pelo fim da união _ de proibir o outro genitor de se aproximar o filho. Este ato tem um nome: é alienação parental. 

Acompanhe as colunas de Viviane Bevilacqua

O nome do pai que escreveu à coluna é Antônio. Tem 34 anos, empresário, separado legalmente há dois anos. Desde então, tem problemas para visitar o filho, hoje com três anos e quatro meses. Mesmo amparado pela lei com o direito à guarda compartilhada, a mãe do menino não cumpre o acordo e restringe a visitação, colocando mil dificuldades. Ela quer que eu me incline às suas condições, que o visite apenas na casa dela, ou que a gente se encontre em um shopping e passeie com o filho junto com ela. 

Antônio explica que mesmo estando amparado por um escritório de advogados da Capital e o juiz responsável pelo processo sabendo de tudo, a situação não mudou. Nada acontece se a genitora decidir não cumprir o acordo ajuizado. Já estou há oito meses sem ficar o final de semana com meu filho. Sei que milhares de pessoas passam pela mesma situação que eu, pais e mães que sofrem por não conseguir dar andamento na convivência com os filhos depois de separação, e não encontram solução no poder judiciário. Precisamos de ajuda e amparo para podermos cuidar de nossas crianças e dar para elas a atenção que merecem por direito,  escreve Antônio.

O empresário ressalta que muitas vezes a mãe ou o pai que fica com a guarda dos filhos e quer afastar as crianças do outro genitor encontra brechas na lei para dificultar este acesso e convivência. Com ele aconteceu o seguinte: Estava tudo encaminhado para resolver as visitações. Depois de assinar mais um acordo, a genitora simplesmente mudou de cidade, deixando de cumprir o que havia sido ajustado. Fizemos uma nova petição, o juiz se disse incompetente para julgar e enviou o processo para a Comarca da região onde o meu filho estava residindo. Nessa função toda, ela vai ganhando prazo. A última vez foram cinco meses até eu conseguir uma audiência. A agora ela se mudou de novo e estou eu começando tudo mais uma vez, desabafa. 

Difícil comentar um caso quando não se sabe toda a história e suas versões. Mas, de qualquer forma, uma questão é certa: a criança tem todo o direito de conviver tanto com o pai quanto com a mãe, e ela não tem culpa nenhuma das brigas e ressentimentos do ex-casal. O interesse dos filhos deveria estar sempre em primeiro lugar, o que, infelizmente, parece que muitas vezes não acontece.                          

Leia as últimas notícias do Diário Catarinense


 DC Recomenda
 
 Comente essa história