Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Como muitos outros aposentados , Seu José saía todas as tardes de casa para jogar dominó com os amigos na praça, só retornando na hora do jantar. A esposa não se preocupava, pois sabia que ele estava com os amigos. Até o dia em que o homem, sempre tão tranquilo e sorridente, começou a apresentar sinais de que algo não ia bem. Estava sempre nervoso, não ria mais, cada vez que batiam na porta de casa ele parecia ficar sobressaltado. A mulher, Dona Maria, não tardou a perceber estas mudanças, e por mais que ela perguntasse o que estava acontecendo ele respondia com evasivas e não dizia nada.

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Seu José continuava saindo todas as tardes, e um dia a esposa o seguiu. Ele não foi para a praça jogar dominó. Entrou em uma garagem, junto com outros homens que estavam por ali. Ela voltou para casa, angustiada. À noite, prensou o marido contra a parede: Ou ele dizia o que estava acontecendo ou ela entraria naquela garagem de qualquer jeito, nem que fosse com a polícia. Assustado, ele contou que há bastante tempo vinha jogando pôquer a dinheiro, e o pior: estava com uma dívida enorme, e a única saída seria vender o carro para saná-la. Caso contrário, tinha medo do que pudesse acontecer a ele e à família.

A verdade é que ele já havia sido viciado em jogo quando jovem, e a dependência voltou assim que topou participar de um carteado só de brincadeirinha. Por mais que quisesse, Seu José não conseguia parar, e sempre achava que aquele seria o era seu dia de sorte. E se afundava mais. Mas será que existe mesmo dependência de jogo? A psicóloga Sarah Lopes explica que tudo o que ameaça escravizar e dominar alguém pode ser considerado um vício. É preciso saber a hora de parar, e o controle não deve envolver sofrimento, deve ser natural. Por exemplo: Determinar uma quantia X para investir em um jogo. Caso vença ou não, isso não fará diferença, a quantia continua sendo a mesma. O que vai caracterizar o vício é a hora de saber parar, que precisa existir, diz ela.

A especialista destaca que vários fatores podem se somar para desenvolver o vício no indivíduo. Um deles é o desequilíbrio da dopamina (hormônio do prazer), no cérebro, que faz com que o sujeito perca o domínio e não meça as consequências de seus atos. O viciado em jogos nunca está satisfeito, sempre quer mais e mais, mesmo sabendo que depois se sentirá mal por isso. E as principais consequências desse tipo de vício são o prejuízo financeiro e o afastamento da família e dos amigos, que quase sempre leva a pessoa a um quadro de depressão ou tristeza profunda.

À família, a especialista diz que é preciso estar atenta a alguns sinais, como mentiras constantes com o intuito de escapar para jogar, falta de sono ou irritabilidade do jogador, penhora de bens sem motivos aparentes e coisas do tipo. Segundo Sarah, muitas vezes é preciso procurar ajuda especializada (um psicólogo ou psiquiatra, por exemplo), para determinar o tratamento mais adequado deste jogador compulsivo.             

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