Foto: Diego Vara

Na última semana, presenciei dois quase atropelamentos de ciclistas em Florianópolis. O primeiro, no meu próprio bairro: Coqueiros. O ônibus arrancou para sair do ponto de parada e, por muita sorte, não atropelou um ciclista que passava pelo local. Eu estava dentro do ônibus, na janela, e quase dei um grito quando vi a cena. Tinha certeza de que o coletivo ia colher o jovem que andava de bicicleta. Outro dia, foi na avenida principal do bairro Córrego Grande. Carro nos dois sentidos, trânsito pesado e, encostados no meu fio, dois ciclistas seguiam um pouco à minha frente. Um carro que estava em frente a uma loja decidiu sair de ré, e acho que não viu a bicicleta. Parou quando encostou na roda e alguém gritou. Sorte que, como o carro estava devagar, o ciclista não se machucou. Só amassou um pouco o aro. Mas o susto foi grande.

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Mas porque estou contando isso aqui? Soube que a Secretaria de Educação de Florianópolis está implantando um projeto intitulado Bicicleta na Escola Floripa, que tem entre outras finalidades incrementar o uso das bikes na cidade e incentivar este modo de vida sustentável, baseado na atividade física. ''Queremos tornar o uso da bicicleta, no ir e vir da escola, um hábito frequente'', diz o secretário municipal de Educação, Maurício Fernandes Pereira. Acho muito louvável a intenção, mas eu pergunto: como fazer isso de modo seguro? Por onde estas crianças e adolescentes vão pedalar? As ciclofaixas e ciclovias ainda são raras na cidade. Como, então, os pais vão deixar os filhos irem para a escola de bicicleta? Isso só é possível em bairros que não têm muito trânsito, o que é cada dia mais raro na Capital. Eu não deixaria um filho meu ir pedalando para a escola no meu bairro, por exemplo. A menos que o colégio e minha casa estivessem localizados em uma rua calma e quase sem movimento de veículos. 

Infelizmente, nosso trânsito me dá medo. É cada um por si e os outros que se danem. E, é claro, o ciclista é o elo mais frágil, numa disputa qualquer com os veículos motorizados. O projeto em si é muito bacana. Vai levar aos estudantes um pouco da história da bicicleta, sua utilização, bem como informações sobre a sua manutenção. Além disso, visa instruir sobre a educação para o trânsito, além de despertar o senso crítico das crianças com relação à mobilidade urbana. A professora de educação física Ana Destri, defensora da bike como meio de transporte e mentora do Bicicleta na Escola em nível nacional,  vai coordenar também o projeto municipal.  Ela já trabalha em algumas unidades de ensino o uso consciente e sustentável da bicicleta no ir e vir da escola. O projeto terá o auxílio dos professores e demais profissionais da rede municipal de ensino. Educar as crianças é mais fácil. Educar os outros para que respeitem as bicicletas é que eu ó acredito vendo. 

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