Foto: Divulgação

Onde enterrar o bichinho de estimação da família após a sua morte? Este é um problema muito antigo, mas que nunca foi debatido com a seriedade que merece. Na maioria das vezes, eles são enterrados nos quintais de casa. Mas quem mora em apartamento, faz o que? Em Florianópolis o assunto entrou na pauta da Câmara de Vereadores este mês, e há poucos dias foi aprovado, em primeira votação, o projeto de lei que permite que animais domésticos sejam sepultados nos jazigos familiares de seus donos.

Segundo o autor do projeto, vereador Tiago Silva, hoje, na Grande Florianópolis, a única opção para o correto descarte dos corpos de animais domésticos mortos  é a cremação. O problema é que muitas pessoas não podem arcar com o valor deste serviço, cujos preços  variam de R$300 a R$ 600 para cães de pequeno e médio porte, e elas acabam sem ter uma opção adequada para o descarte do corpo do animal. Muitas vezes os bichinhos são enterrados em terrenos baldios ou colocando no lixo para coleta pelos caminhões da Comcap. Além de todo o sentimento que envolve a perda do pet, colocá-lo em qualquer lugar depois da morte também traz outras consequências negativas: qualquer material biológico, seja humano ou animal, quando entra em decomposição, pode causar muitos problemas ao meio ambiente e aos humanos. Recentemente, casos de Leishmaniose Visceral em humanos foram exemplos do que pode acontecer. 

Ninguém quer simplesmente abandonar num terreno vazio ou muito menos deixar que o caminhão do lixo recolha e dê fim ao animalzinho que durante muitos anos foi o grande companheiro da família. O projeto de lei nº 16.912/2017, busca permitir que proprietários de animais que tenham jazigos nos cemitérios municipais possam enterrar ali também seus ''melhores amigos''. Este ato não traria custo para a cidade e ainda ajudaria a preservar o solo e os mananciais que abastecem a rede hídrica do município, possibilitando que as famílias preservem o laço com o pet. Até agora, apenas Florianópolis e o Rio de Janeiro têm projetos neste sentido, sendo pioneiras no desejo de encontrar uma solução prática e satisfatória para todos, governo e moradores.

Nunca me esqueci do dia em que meu pai colocou o nosso cachorrinho, o Pelé, dentro de uma caixa de papelão, e o levou para o veterinário para que o sacrificasse, pois estava muito velhinho e doente, e era muito triste vê-lo naquela situação. Sempre que pensava nele, depois daquele dia, imaginava onde ele havia sido enterrado, se é que isso aconteceu. Este projeto de lei também atende a uma demanda dos médicos veterinários que, muitas vezes, se veem responsáveis pelo descarte dos animais de seus clientes. O médico veterinário Tiago Salvador explica que quando recebe corpos de animais mortos, precisa levar até o aterro sanitário da Comcap para que sejam descartados corretamente. 

 Veja também
 
 Comente essa história