Foto: Divulgação

Era final da década de 1990. Mhanoel Mendes faturava alto com sua agência de publicidade. Comprava carros de luxo e vivia com todo o conforto. Mas sabia que lhe faltava algo, só não entendia ainda o quê. Um belo dia começou a se questionar sobre materialismo e consumismo. Era aquilo mesmo que desejava para o resto da sua vida? A pergunta martelava em sua cabeça. Entrou em crise existencial. Como nasceu no dia do Natal, em 1999, nesta mesma data, decidiu fazer uma experiência: Saiu às ruas vestido de Criciúma, cidade onde morava, como um mendigo, esmolando. Pedia água e alimento, dinheiro não. Conheceu a compaixão, mas também a indiferença. Aquela experiência mudaria sua vida para sempre.

No ano seguinte foi mais radical: começou sua vida de andarilho. Caminhou 200 quilômetros entre Criciúma e Florianópolis. Queria saber por que muitas pessoas escolhem esta vida, e o que elas buscam no caminho. Foram cinco noites e seis dias pedindo comida, água e pouso. Ao chegar em Florianópolis, sentiu-se transformado. Em janeiro de 2001 tomou a decisão de vender a agência de publicidade e criar o Oikos, um espaço de terapias e eventos localizado na zona rural de Criciúma, onde mora com a família. Lá, no trabalho com a terra,  exercita seus aprendizados com a permacultura, sistema de planejamento  para criação de ambientes sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza.

Na sequência, vieram muitas outras experiências na sua vida de andarilho: Percorreu duas vezes (está lá agora, novamente) o Caminho de Santiago de Compostela, fez o Caminho de Santa Paulina, a trilha Inca que leva até Machu Picchu no Peru, o Caminho da Ilha em Florianópolis, o Caminho dos Anjos, em Minas Gerais, a Caminhada do Vale Europeu catarinense, o Caminho das Missões no Rio Grande do Sul... Sempre um novo desafio.  ''Continuo no caminho, não cheguei a lugar algum, mas a leveza do coração me confirma que estou na direção certa. Fiz a opção pela simplicidade voluntária e o conforto essencial, e assim tenho procurado balizar minha existência'', explica Mhanoel Mendes.

Com base em suas experiências, ele já publicou dois livros. O Buscador: Uma aventura a Machu Picchu foi o primeiro, seguido de  Compostela - Muito além do caminho de Santiago, em coautoria com um amigo. No dia 17 deste mês, Mhanoel, que é também jornalista, mestre em ciências políticas e psicólogo estará lançando em Florianópolis Huxtlan: o livro da última grande esperança. Será na sede da Fundação Badesc, às 19h, sob o selo da editora Dois Por Quatro. Trata-se, de acordo com o autor, de ''uma ficção do coração, um romance espiritual''.  A história se passa em 2077,quando o planeta vive um caos. As nações estão em crise e as pessoas sem rumo. A inversão de valores torna a humanidade desumana. Algo precisaria ser feito, urgentemente. Qualquer semelhança, não é mera coincidência.

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