Foto: Fiesc

Formaturas geralmente são momentos de muita alegria, tanto para quem está terminando mais uma etapa da sua educação quanto para os familiares e amigos, que sabem o quão difícil foi chegar até ali. Para um grupo especial de alunos, entretanto, a formatura carrega uma dose extra de emoção, porque pode significar o início de uma nova trajetória, completamente diferente de todas as experiências vividas até então. Estou falando dos jovens que vivem em serviços de acolhimento do Estado e que, por meio do Programa Novos Caminhos, estão concluindo neste mês de dezembro cursos profissionalizantes oferecidos pela FIESC e pela Fecomércio, no  IEL, SESI, SENAI ou SENAC.

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O presidente da FIESC, Glauco José Côrte, há poucos dias acompanhou a formatura de 27 jovens que participam do projeto em Joinville. Vítimas de abandono ou de violência doméstica, estes adolescentes são acolhidos pelo Estado até completarem 18 anos. Depois desta idade, precisam ter um emprego que garanta seu sustento. Por isso, é tão importante que eles não deixem de estudar e frequentar os cursos. ''Estamos orgulhosos de saber do esforço de cada um para chegar aqui. Se há esforço é porque há esperança'', disse Côrte. As indústrias são convidadas a participar do programa, por meio da oferta de vagas de aprendizagem, estágio e emprego.

O Programa é fruto de parceria entre o Tribunal de Justiça/SC, a Associação dos Magistrados Catarinenses, o Ministério Público do Estado, a Ordem dos Advogados do Brasil/SC, a Fecomércio/SC e a  FIESC. As entidades atuam em conjunto para que os jovens possam ser inseridos na sociedade com preparo profissional e emocional. Com o objetivo de proporcionar uma perspectiva de vida digna aos jovens ao deixarem os abrigos, o Novos Caminhos iniciou em 2013, e de lá para cá atendeu mais de 800 adolescentes. Desses, 190 já foram encaminhados ao mundo do trabalho.

Ao ingressarem no Novos Caminhos, os adolescentes são acompanhados individualmente e encaminhados a programas de escolarização, qualificação e profissionalização. Na escolha dos cursos são respeitadas  as necessidades, os interesses e o perfil individual de cada adolescente. Além disso, também é feito todo o acompanhamento didático-pedagógico das ações em sala de aula e terapêutico/psicológico, a fim de minimizar, ao máximo, possíveis evasões. Atualmente, existem 1.431 acolhidos e, desses, 430 são adolescentes na faixa etária entre 14 a 18 anos, muitos deles destituídos do poder familiar, sem chances de retorno à família de origem e/ou de serem adotados, principalmente em razão da idade. Loriene Camargo, 22 anos, e o irmão viveram acolhidos até o ano passado e agora moram sozinhos, no Morro do Mocotó. Ela fez os cursos oferecidos pelo programa, concluiu a  educação básica (EJA) e cursa técnico em Gastronomia no IFSC, e também faz estágio no restaurante do SESI, na FIESC. Um belo exemplo de que, quando existe a oportunidade, um futuro digno e promissor deixa de ser só um sonho distante. 

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