Chegou o grande dia: nesta quarta, às 21h30min, Beatle faz show em solo catarinense Marcos Hermes/Divulgação

Em Recife, turnê "On The Run" emocionou

Foto: Marcos Hermes / Divulgação

A apresentação que começará nesta quarta-feira às 21h30min no Estádio da Ressacada, e que deve terminar 2h45min depois, tem um valor imensurável. Muitos tocaram músicas clássicas dos Beatles em Santa Catarina, mas será a primeira vez que um representante genuíno vai apresentá-las aqui.

Trata-se de um momento especial. Paul McCartney e seu "show de rock" chegam pela primeira vez ao Estado e em Florianópolis, naquela que já pode ser citada como maior apresentação de um artista em solo catarinense. Já tivemos momentos em que estrelas de primeira grandeza da música mundial passaram pela Capital, como Beyoncé, Rod Stewart ou Eric Clapton, mas nada como Macca — que, após a morte de Michael Jackson, é indiscutivelmente o maior nome do pop rock vivo.

Não pensem que Paul sobe ao palco metendo banca, maioral. Pelo contrário, no show ele é de uma simplicidade só. Neste quesito, os novos shows, da turnê On the Run, diferem muito pouco dos da turnê anterior, a Up and Coming Tour, que passou por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

No palco, apenas ele e sua banda, um telão de LED ao fundo e dois nas laterais do palco. Ao fundo, surgem diferentes imagens, montagens e filmes — como o que mostra o making of da sessão de fotos para a capa do LP Band on the Run (1973). Fora uma ou outra palavrinha de Paul, comentários sobre as músicas apresentadas ou uma ou outra observação, não há enrolação — é uma música atrás da outra. O formato é bem básico, com duas guitarras, um tecladista, baixo e bateria. Paul também vai para o piano tocar e cantar suas baladas. As músicas de arranjos mais sofisticados, como Eleanor Rigby e Hello, Goodbye, acabam recebendo uma interpretação mais crua, e nem por isso menos intensa.

No set list, são quase 50 anos de música. Desde And I Love Her e All My Loving, dos primórdios do rock inglês, até My Valentine, música do último disco (Kisses on the Bottom) que Paul escreveu para a nova mulher, Nancy Shevell. Entram também as músicas mais celebradas de Paul com os Beatles — Let It Be, Yesterday, Hey Jude e The Long and Winding Road.

Paul foi o único que manteve a sequência de sucessos

É bom lembrar que Paul ficou na posição mais delicada quando os Beatles acabaram. O temperamento difícil de John Lennon transformou o ex-parceiro em vidraça, e George Harrison se afastara de Paul nos momentos finais dos Beatles. Assim, sozinho ou nos Wings, foi o único beatle que manteve a mesma sequência de sucessos durante os anos 1970 e uma carreira sólida desde 1969. Ao contrário dos ex-parceiros, também permaneceu em longas turnês durante todo o período, só parando um pouco nas últimas décadas.

Muitos dos sucessos desse período de prestígio solo estão no show, como Maybe I'm Amazed, uma bela homenagem à Linda McCartney, sua mulher e companheira de palco por três décadas, ou a pirotécnica Live and Let Die, sucesso que integrou um dos filmes da série 007. O já citado Band on the Run cede cinco de seus sucessos ao set list, entre as quais a faixa-título, Jet, Let Me Roll It e Mr. Vanderbilt.

Talvez o que mantenha tudo tão emocionante 42 anos após o final dos Beatles é o carisma e a capacidade de comunicação de Paul. Mesmo tocando para 32 mil, como vai ser o caso em Florianópolis, parece estar falando em particular com cada um de seus fãs. Como costuma dizer nas apresentações, apontando em várias direções da plateia, o show é uma catarse coletiva, e uma viagem individual para cada um dos presentes. Cante, grite, chore e sorria!
DIÁRIO CATARINENSE
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