A realeza de Ipanema Daniel Conzi/Agencia RBS

Andy Summers e Roberto Menescal chegaram dois dias antes do show em Florianópolis

Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

De meninos, o guitarrista inglês Andy Summers, 69 anos, e o cantor e compositor bossanovista Roberto Menescal, 74, parecem ter pouco. Mas a experiência nos palcos e estúdios não aplaca o entusiasmo quase juvenil com o qual falam do United Kingdom of Ipanema. Não é por nada: trata-se de uma união de bossa nova com o jazz e o pop-rock (“bossa rock”, tenta definir Menescal) tão bem recebida pelo público que as turnês futuras serão não apenas brasileiras, mas mundiais. Depois de uma primeira apresentação arrebatadora na Capital, em setembro do ano passado, a dupla está de volta. Se apresenta hoje à noite no Teatro Álvaro de Carvalho, em noite que conta com a participação da cantora Cris Dellano. Em conversa com o DC, falaram um pouco sobre os shows e o repertório, a expectativa com o público do exterior e até mesmo sobre o The Police, o lendário trio roqueiro com o qual Summers se consagrou.

Diário Catarinense - Fazem sete meses que o United Kingdom of Ipanema esteve em Florianópolis pela primeira vez. O que esse novo show tem de diferente do primeiro?
Andy Summers - Todo show é novo, é improvisado. As canções são a moldura, mas cada show, sinto como se fosse o primeiro.

DC - Vocês são sucesso no Brasil, com apresentações aclamadas. Conseguem a mesma reação das audiências de outros países?
Roberto Menescal -
Basicamente, nós fizemos só Brasil. Nós íamos para o Japão ano passado, mas teve o tsunami, aí a gente segurou um pouco. Então, não temos essa reação fora do Brasil, a não ser os argentinos, mas claro que é uma coisa muito próxima nossa. Há expectativa com relação ao públicio de fora.
Andy Summers - O Menescal pode ir ao Japão de qualquer maneira, ele é muito popular. Eu vou acompanhar apenas para carregar as malas (risos). Mas é um show que acredito ter toda possibilidade de se dar bem internacionalmente.

DC - Como você se sente no Brasil? É um país diferente dos demais para você?
Summers -
Sim, é um país especial para mim. Prefiro o Brasil, por exemplo, à Alemanha ou Rússia. Eu já estive aqui tantas vezes, já estive aqui umas 20, 22 vezes. Eu me apaixonei pela música brasileira cedo. Toquei muito aqui antes mesmo de conhecer o Menescal, não só com o The Police mas também com outros projetos. Sinto como se fosse minha segunda casa. Adoro as pessoas também.

DC - Como foi trabalhar esse repertório que mistura músicas do Police e a música brasileira?
Menescal - Você sabe que a gente nem combinou? O Andy é muito corajoso, ele sugere: “vamos tocar algumas músicas do Police? Vamos tocar Every Little Thing She Does is Magic?” Não há planejamento. Ontem (domingo, no show de São Paulo), ele propôs pôr Magic no encerramento. A coisa vai nascendo, cada dia é diferente, são músicas diferentes. É o improviso, o que é legal, se não todo show seria exatamente a mesma coisa.

DC - Quais artistas brasileiros você têm escutado?
Summers - Artistas e grupos de rock não têm me interessado, eu tenho ouvido bastante são as gerações anteriores, como o Menescal, Tom Jobim, João Gilberto, Maria Bethania, tropicalistas como o Caetano Veloso e Gilberto Gil. E eu também gosto de música mais antiga ainda, como Garoto, Pixinguinha, Orlando Silva, Noel Rosa, Jacob do Bandolim (levanta as mãos em sinal de adoração). E também gosto de ouvir música clássica do país, como Villa-Lobos.

DC - Há chance do The Police voltar? Algum projeto relativo à banda, como relançamentos?
Summers - Não, pois aquela última turnê foi algo tão grande, que não há como a gente bater aquilo, teríamos que ser menores. Foram 150 shows pelo mundo. Eu vou lançar um documentário para lançar, é sobre o The Police sob o meu ponto de vista. Vai sair no verão (norte-americano, inverno brasileiro).

DC - Vocês chegaram a Santa Catarina dois dias antes do show. Alguma razão especial?
Summers - É um lugar bonito, mais relaxado, São Paulo é aquela loucura, ainda mais com chuva. Vou poder andar bastante e tirar fotos.
Menescal - Tenho ligações com a Ilha, e tenho um filho e o neto aqui. Venho com frequência. Assim como o Andy falou com relação ao Brasil, Florianópolis é a minha segunda casa.

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