Entrevista: catarinense Leila Guenther participa de coletânea de contos eróticos  Divulgação/Arquivo pessoal

Leila Guenther deu entrevista ao DC por email

Foto: Divulgação / Arquivo pessoal

Nascida em Blumenau, Santa Catarina, Leila Guenther tem 36 anos e participa pela terceira vez de uma coletânea. O livro 50 Versões de Amor e Prazer, que chegou às livrarias na primeira semana de dezembro, terá lançamento oficial em janeiro, e reúne histórias eróticas de quatro autoras brasileiras. Leila é a representante catarinense do grupo. Formada em letras na USP, atualmente ela escreve um livro de contos e um de poesia e deu entrevista ao Diário Catarinense por e-mail.

— Como surgiu o convite para participar do livro?
Foi a terceira vez que Rinaldo de Fernandes me convidou para participar das antologias que organizou. A primeira foi para o livro Quartas histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa (Editora Garamond, 2006), a segunda, para Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos cem anos de sua morte (Geração Editorial, 2008), em que escrevi "A outra causa", uma recriação de "A causa secreta".

Trata-se da história do sádico Fortunato, mas contada do ponto de vista da esposa, que eu entendo como uma masoquista. E, talvez por disso, tenha surgido o convite para 50 Versões de Amor e Prazer. Mas Rinaldo era um leitor muito atento do que eu escrevia já desde meu primeiro livro de contos.

— Quantos livros você já publicou? Todos são eróticos?
Publiquei o livro de contos O voo noturno das galinhas (Ateliê Editorial, 2006), traduzido para o espanhol em 2010 (El vuelo nocturno de las gallinas, Peru, Borrador Editores, tradução de Armando Alzamora), e a edição artesanal de Este lado para cima (Sereia Ca(n)tadora, Babel, 2011), além de ter participado das referidas antologias. Curiosamente, não escrevi nada erótico, no sentido de o erotismo ser o tema, o propósito do texto.

O que acontece é que às vezes o elemento erótico, ou sexual, acaba por simbolizar uma questão maior, como no caso da recriação que fiz de Machado de Assis, em que o desejo que Fortunato tem em causar dor e a necessidade que a esposa tem de sofrer representam a complementaridade das relações humanas. Para 50 Versões de Amor e Prazer, o desafio de criação era maior: quatro histórias por autor. Elas também lidam, por meio do erótico, com questões várias, como os clichês românticos, a literatura decadentista, a rede de enganos e mentiras das relações etc. O erotismo está no olho de quem lê.

— Quando você começou a escrever?
Comecei a escrever como brincadeira de criança. Fazia "livrinhos" com história, desenhos e capa. Já na escola, adorava escrever redações e as aulas de português. Na idade adulta, punha no papel sonhos que tinha tido. Alguns entraram para meu livro de contos.

Devo esse contato com a literatura a meu pai, que veio de uma família de gente simples, mas que tinha o hábito da leitura. Assim, comecei a ler cedo, como uma espécie de brincadeira que mexia com minha imaginação e me permitia ir para outros mundos.

— Você tem outros projetos em andamento?
Tenho. Estou escrevendo outro livro de contos e um de poesia. Mas lentamente. Costumo dizer que nisso sou amadora em todos os sentidos. Ou seja, escrevo apenas por uma necessidade interior, sem pressa de publicar, o que é, ao mesmo tempo, bom e ruim.

50 Versões de Amor e Prazer
Organizador Rinaldo de Fernandes
Editora Geração Editorial
Preço médio: R$ 34,90

DIÁRIO CATARINENSE
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