Artista e ilustradora científica apresenta suas concreções e abstrações sobre orquídeas na mostra "Orquidofolia" Bruno Sampaio/Divulgação

Abstrações sobre orquídeas feitas por Lu Mori para a mostra "Orquidofolia"

Foto: Bruno Sampaio / Divulgação

Às vezes as pessoas olham para as flores e enxergam apenas o formato das pétalas, o caule, as cores. A arte, nesse caso, pode funcionar como um portal de percepção, exatamente assim, com o mesmo conceito usado por Aldous Huxley em 1954 em seu livro As Portas da Percepção. Em Orquidofolia, exposição de estreia de Lu Mori em Florianópolis, a artista compartilha suas concreções e abstrações sobre a orquídea. A mostra abre hoje no Espaço Cultural Governador Celso Ramos - BRDE e segue até o dia 21 de fevereiro.

— As pessoas não enxergam tudo o que vejo — diz Lu sobre as flores.

O que ela vê são os detalhes além da objetividade, a textura das folhas, as bolinhas no caule, arabescos, riscos e caminhos tortuosos que a natureza tão belamente traça. Tudo isso não sem antes exercitar seu aguçado poder de observação científica. Graduada em artes visuais, ela é também especialista em ilustração científica.

Em Orquidofolia, Lu mostra sete conjuntos de obras, cada um formado por dois desenhos — em preto e branco feito com grafite e colorido, frutos de sua habilidade para a ilustração concreta — e uma tela abstrata.

— É para mostrar como uma coisa é a mesma que a outra — explica.


Lu Mori primeiro faz desenhos de observação

A flor escolhida pela artista é a phalaenopsis, orquídea híbrida comercializada em grande variedade de cores e bastante popular no Brasil. É uma planta quase que totalmente criada pelo homem, que a manipula ainda semente para produzir diferentes cores. Tem preço acessível, a floração dura meses e coabita em outras plantas.

— Esse hibridismo também influenciou minha poética.

Ela própria faz um cruzamento de palavras para dar título à exposição. Em orquidofilia, que quer dizer, literalmente, amor ou paixão pelas orquídeas, ela adiciona o termo folia — palavra de origem grega que tem a ver com loucura. Daí Orquidofolia, um convite a "viajar" pelo infinito particular das orquídeas.

De ascendência japonesa, Lu Mori, 27 anos, simplifica a paixão pelas flores com as memórias dos jardins repletos de orquídeas de sua infância. A artista vive há quase dois anos em Florianópolis. Além de Orquidofolia, já criou também as coleções Beija-Flor, Mollusca e Camadas Vivas.



:: Agende-se

O quê: exposição Orquidofolia, por Lu Mori
Quando: hoje, 19h (abertura). Visitação até dia 21, de segunda a sexta, das 9h às 19h
Onde: Espaço Cultural Governador Celso Ramos (Av. Hercílio Luz, 617, Centro, Florianópolis)
Quanto: gratuito

Informações: (48) 3207-3961

VARIEDADES DC
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