"Grey", nova saga de Cinquenta Tons de Cinza, deixa a desejar universal pictures/Divulgação

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EL. James não é boba nem nada. No prólogo de Grey – Cinquenta Tons de Cinza pelos Olhos de Christian, a escritora britânica justifica: “A vocês, leitores, que tanto pediram”. Nos Estados Unidos, o livro alcançou a marca de 1 milhão de cópias só na pré-venda e liderou a lista dos mais vendidos dos sites Amazon e Barnes & Noble. O que fisga essa multidão é a curiosidade: como seria a história de amor sadomasoquista contada agora pelo ponto de vista do bilionário dominador Christian Grey, no lugar da ingênua Anastasia Steele. O resultado pode decepcionar mesmo as fãs mais ardorosas.

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Quem seguiu a trilogia Cinquenta Tons foi envolvido pelo erotismo das páginas e os mistérios do passado que provocaram os fetiches e traumas do protagonista. Sendo sutil: caso você contrarie Mr. Grey, pode levar umas palmadas. Na nova versão, que tem tiragem de 400 mil exemplares no Brasil pela editora Intríseca, os dois pontos estratégicos deixam a desejar.

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Por uma questão óbvia, as cenas de sexo são iguais e, mesmo com a pimenta do ponto de vista masculino, a trama se torna repetitiva. O principal estímulo para ler tudo de novo seria, então, descobrir passagens importantes da infância tumultuada do galã sadomasô que, filho de uma prostituta, foi adotado por uma família abonada e acabou se envolvendo com uma mulher mais velha (ufa!)

Não é o que acontece. Revela-se mais do mesmo, desapontando as curiosas de plantão. Última frustração: acaba-se o mito de um Mr. Grey que queria uma submissa para chamar de sua, mas acaba se apaixonando pela mocinha. Como revela o narrador, foi paixão à primeira vista.

Nada, enfim, daquela personalidade dominadora do cara da gravata cinza. Ou seja, o livro pode, no máximo, agradar às muito fãs, que queriam rever os personagens, enquanto o próximo filme da franquia não vem (confira texto abaixo).

E.L. James certamente vai arrecadar muitos pilas, mas talvez não tenha acrescentado algo significativo ao seu currículo. Melhor se tivesse seguido o exemplo da colega best-seller e musa inspiradora Stephenie Meyer, da saga Crepúsculo, e não sucumbir aos pedidos dos leitores. Em time – ou trilogia – que está ganhando não se mexe.

GREY – CINQUENTA TONS DE CINZA PELOS OLHOS DE CHRISTIAN
E.L. James
Romance, Intrínseca
528 páginas, R$ 39,90.
Cotação: 1 estrela (de 5)

Dois novos filmes estão previstos para 2017 e 2018
O sucesso popular de Cinquenta Tons de Cinza (2015), que vendeu 569 mil ingressos no mundo todo no primeiro semestre deste ano, motivou duas novas adaptações cinematográficas da obra de E.L. James. Cinquenta Tons Mais Escuros deve chegar aos cinemas em fevereiro de 2017, e Cinquenta Tons de Liberdade, no mesmo mês de 2018. Dakota Johnson e Jamie Dornan, os protagonistas do primeiro filme, estão confirmados em ambas as produções.

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