"A Camerata Florianópolis foi a melhor pra mim até agora", revela Steve Vai sobre o show no Rock in Rio Diego Padilha/Divulgação

Foto: Diego Padilha / Divulgação

A noite do dia 25 de setembro ficou na memória de quem estava no Palco Sunset do Rock in Rio. A união do guitarrista Steve Vai e da Camerata Florianópolis rendeu momentos de emoção tanto para os músicos da orquestra, que tocou pela primeira vez para um público tão enorme, quanto para o guitarrista, já com mais experiência em grandes festivais.

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Logo após retornar aos Estados Unidos, na semana passada, o guitarrista enviou um e-mail bastante pessoal para o maestro Jeferson Della Rocca, contando como estava encantado e ainda "nas nuvens" com a apresentação. Acostumado a tocar com orquestras do mundo inteiro - como a japonesa Tokyo Metropolitan Symphony Orchestra, a norueguesa North Netherlands Symphony Orchestra e a holandesa Metropole Orchestra - elogiou a habilidade e generosidade de Jeferson.

—Saber que ele, que já tocou para públicos enormes, sentiu a mesma sensação que nós da Camerata também foi uma surpresa. A gente vai quebrando os próprios mitos— contou Jeferson.

 

Por e-mail, o guitarrista respondeu a perguntas do Diário Catarinense. Confira: 

Diário Catarinense: Qual a sua avaliação geral do show no Rock in Rio?
Acredito que foi um ponto alto da minha carreira. É estranho, mas quando eu era um garoto eu tinha essa visão de algo que eu queria fazer quando fosse mais velho: estar em frente a um grande público, com uma orquestra poderosa botando pra quebrar desde a música mais intensa até a mais delicada e sutil, enquanto eu a guiava e tocava a música em minha cabeça. Mas, na verdade, a realidade foi muito melhor do que o garotinho jamais pudesse esperar.

Você já tocou com orquestras do mundo inteiro. Qual sua impressão sobre a Camerata Florianópolis?
A Camerata Florianópolis foi a melhor pra mim até agora. Meu tipo de música orquestral se encaixa melhor com músicos de orquestras mais jovens e que têm um espírito aventureiro. É difícil encontrar um bom encaixe, pois a música também pode ser difícil de ser tocada. A orquestra e o maestro, Jeferson Della Rocca, estavam tão preparados quanto pudessem estar com o tempo que lhes foi dado. Eles foram muito respeitosos com a música e comigo. Eles tiveram uma atitude maravilhosa e estavam prontos pra se divertir. É sempre bom quando o maestro é um cavalheiro e entende o objetivo da música. Foi uma alegria total trabalhar com o Jeferson.

Confira imagens do ensaio antes do show:



Após o show, sua mulher comentou que em 37 anos nunca tinha sentido uma emoção tão forte. Você concorda? O que teve de mais especial no show?
Minha esposa, Pia, sempre foi a crítica mais rígida e inspirada. E eu concordaria com ela. Ela me viu tocar mais do que ninguém e ela sentiu que foi um ponto alto. Todos os elementos estavam no lugar. Houve vários momentos especiais, pra mim, durante o show. Olhar para o público e sentir a sua energia (era tão poderosa), sentir o som da orquestra, ser parte do Rock in Rio, olhar para o pit na minha frente e ver Pia curtindo o momento. Foi tudo espetacular. Mas o destaque, pra mim, foi quando começamos a tocar For the Love of God. O público estava cantando a melodia de forma tão bela, e eu olhei para o Jeferson e estávamos os dois perplexos.

Você pretende repetir a parceria?
Eu, com certeza, espero que eles se divertiram o bastante pra me convidar novamente pra tocar em algum momento. Eu ficaria honrado.

A banda Brasil Papaya também é de Florianópolis e já tocava com a Camerata. Como foi a escolha dos músicos? O que mais te chamou a atenção no trabalho deles?
Pode ser muito difícil encontrar músicos de bandas de rock que consigam tocar com uma orquestra, porque eles precisam saber como ler a música, seguir o maestro e mandar ver. A banda Brasil Papaya era persistente ao estudar a música e cabia perfeitamente em seu papel na orquestra. Eles foram um grande alívio pra mim, quando eu os ouvi e percebi que eram músicos completos. Tenho uma enorme gratidão pelo evento todo.
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