Banda Malta chega ao segundo disco repetindo clichês do primeiro Reprodução/Reprodução

Música do quarteto é tão plastificada quanto os rostos dos integrantes na capa de Nova Era

Foto: Reprodução / Reprodução

O problema das bandas feitas para dar certo é que, bem, às vezes elas dão mesmo. Veja o case da Malta. A vitória no programa Superstar, em 2014, foi apenas a primeira de uma série de conquistas. Sua estreia em disco, Supernova, vendeu 280 mil cópias em uma época em que artistas consagrados penam para alcançar os cinco dígitos, que dirá seis. Terminou o ano como o artista mais procurado pelos brasileiros na categoria banda/dupla no Google e com o álbum nacional mais vendido na loja digital iTunes. Como em time que está ganhando não se mexe, de novo, o segundo álbum do grupo só tem o nome.

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Nova Era traz aquela lesma lerda: um punhado de baladas, duas ou três faixas um pouco menos arrastadas e um vocalista que fecha os olhinhos com força para cantar. “Bruto romântico”, como ele define o estilo da banda. Na prática, significa que o chamado pop rock da Malta tem muito de neo-sertanejo. A fórmula reflete o pop e compromete o rock. Até a dor-de-cotovelo nas letras (sofrência?) cala fundo nos corações de fãs de duplas milionárias. Há inclusive uma canção chamada Cinderela! Os caras são profissionais, sabem o que e como devem fazer para chegar onde querem – naturalmente, com jeito de vocação.



Por mais que tudo aponte para o contrário, o grupo é sincerão em seu Apelo Jovem. O vocalista já cantou com Hudson, parceiro de Edson. O guitarrista trabalhava com Rick Bonadio, produtor que revelou campeões de audiência do quilate de Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr. e NX Zero. O pulo do gato foi unir as duas escolas. Embora pareça armação e o resultado seja sério, brega, careta demais, a Malta é de verdade, assim como seu sucesso. Seus integrantes estão felizes, realizando um sonho com o que gostam. Eles compõem, tocam, sentem. Mas a música que oferecem é tão plastificada quanto seus rostos na capa de Nova Era.

Águias de pilequinho
Eagles of Death Metal
é outra banda de nome comprido de Josh Homme, do Queens of the Stone Age. Não, não tem metal extremo aqui. O projeto-paralelo-zoeira do guitarrista e vocalista vagueia por um rock mais para o cervejeiro do que o anfetamínico de seu grupo original. O quarto disco, Zipper Down, distribui 11 odes à gandaia em meros 35 minutos, suficientes para esquecer o bom-mocismo da Malta. Entre músicas que soam como um cruzamento de Kiss com Franz Ferdinand (Complexity, The Deuce, I Love You All the Time), brilha inconteste a versão rota para Save a Prayer, do Duran Duran.



ZONA FRANCA ||||||| DISCOS GRÁTIS
O QUÊ: Frou-Frou, da cantora Bárbara Eugenia
POR QUÊ: O terceiro disco da carioca radicada em São Paulo passa longe do estereótipo de “nova MPB” que infesta nove entre dez artistas brasileiras. É um pop meio torto, que flerta com referências díspares para atirar em diversas direções: tropicalismo, new wave, psicodelia, pós-punk, rock. Em vez de diluir, a suposta bagunça reforça a unidade do trabalho, um retrato fiel das possibilidades que 2015 comporta.
ONDE: miud.in/1GX2 

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