Comédia de Bogdanovich tem boa premissa, mas é anacrônica mares filmes/Divulgação

Imogen Poots e Owen Wilson

Foto: mares filmes / Divulgação

Uma comédia cheia de referências à era de ouro de Hollywood, sobre um autor neurótico cercado de atores nervosos, que começa com uma clássica versão jazzística do standard Cheek to Cheek. E é dirigida por um veterano querido pelos cinéfilos. Parece Woody Allen, certo? Mas é Peter Bogdanovich, nome de referência da chamada Nova Hollywood do fim dos anos 1960, que assinou ao menos dois filmaços já à época calcados em nostalgia – A Última Sessão de Cinema (1971) e Lua de Papel (1973).

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Bogdanovich não lançava um longa ficcional desde O Miado do Gato (2001). Valeu-se do prestígio para cooptar astros e estrelas para Um Amor a Cada Esquina, estreia desta semana no circuito – Cybill Shepherd, Richard Lewis, Jennifer Aniston e até Quentin Tarantino, entre outros. Fez algo que está mais para um pastiche cômico – em alguns momentos, de si próprio.

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Owen Wilson interpreta o protagonista, um diretor teatral, que é casado com uma grande atriz (Kathryn Hahn) e prepara uma nova peça com ela e um ator prestigiado (Rhys Ifans). Uma verdadeira ciranda de confusões tem início quando ele passa a noite com uma prostituta que sonha em atuar (Imogen Poots) e, repetindo o que fizera com outras garotas, dá a ela US$ 30 mil para que mude de vida e busque a realização profissional.

Só que a jovem, sem saber, vai parar no teste de elenco... da peça dele. E se sai bem. De modo que todos pressionam para que ele a contrate – incluindo a mulher do diretor, que por sua vez é assediada pelo parceiro de cena. Há mais: o autor do texto (Will Forte) e sua esposa psiquiatra (papel de Jennifer Aniston), que tem diversos personagens em cena como pacientes, acompanham tudo de perto – e ele se encanta pela personagem de Imogen Poots.

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O nível cai mesmo quando todos se encontram num restaurante, e as infidelidades são flagradas quase simultaneamente. A situação estapafúrdia escancara o quanto Um Amor a Cada Esquina tem mais a ver com os pastelões contemporâneos mais rasos do que com o humor elegante almejado por Bogdanovich em referência a uma época em que cinema era sinônimo de glamour. Não que o filme seja grosseiro – é apenas anacrônico.

Entre os momentos de diversão e outros sem graça, há os de constrangimento, sobretudo com a presença da deslocada personagem de Jennifer Aniston. Em se tratando de um projeto tão bem intencionado, é realmente uma pena.

Um Amor a Cada Esquina
(Sh's Funny That Way)
De Peter Bogdanovich
Comédia, EUA, 2014, 93min, 14 anos.
Estreia nesta quinta-feira no Espaço Itaú 4, no GNC Moinhos 3 e no Guion Center 3, em Porto Alegre.
Cotação: 2 estrelas (de 5).

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