Decisão da Playboy reflete a banalização da nudez, dizem especialistas Playboy/Divulgação

A modelo Kate Moss foi uma das que já estampou as páginas da revista

Foto: Playboy / Divulgação

A internet fez mais uma vítima: a nudez impressa. No mercado desde 1953, a revista americana Playboy anunciou nesta terça-feira que, por conta da concorrência de sites pornográficos, vai parar de publicar fotos de mulheres nuas. No entanto, continuará a publicar fotos de mulheres em poses provocantes. A revelação foi feita pelo diretor da publicação nos Estados Unidos Scott Flanders ao jornal New York Times.

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– Esse movimento é uma tendência natural. A nudez deixou de ser novidade. Como modelo de negocio a nudez se exauriu porque ficou muito acessível, e os Estados Unidos, que não são bobos e estão à frente em tendência e pesquisa, vão testar se o erotismo sensual, sem nudez, dá certo em sua principal revista masculina – analisa Selma Felerico, professora de Marketing, Comunicação e Consumo da ESPM de São Paulo.

De acordo com a professora, a internet permitiu o acesso a pornografia a qualquer momento, em qualquer lugar e, nesse contexto digital, o vídeo subjugou a fotografia estática da revista.

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Além das questões financeiras, esse movimento da Playboy, assim como o calendário Pirelli – que no próximo ano trocará as tradicionais modelo nuas por mulheres influentes e vestidas –  mostram o fortalecimento do feminismo. É o que defende Jussara Reis Prá, coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Mulher e Gênero da UFRGS.

– A nudez da mulher não tem mais apelo. Parte da sociedade está se conscientizando e não concorda com a objetificação da mulher. Prova disso é a mudança de posicionamento nos comerciais de uma grande marca de cerveja. O assédio, a gostosona no primeiro comercial, foi substituído pela voz da mulher e pela igualdade entre o casal nas últimas propagandas. Tudo isso é fruto de uma pressão da sociedade e de órgãos que defendem os direitos da mulher – explica a cientista política.

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Outro ponto destacado pela pesquisadora é a contestação do modelo de beleza retratado nessas revistas com a figura da mulher "gostosona, silicone e bundão". Muitas marcas estão vendo essa mudança da sociedade e começam a se reposicionar.

Para a Mary del Piore, professora da Pós-Graduação de Historia da Universidade Salgado de Oliveira a nova posição da publicação segue a mudança dos tempos:

– O que me parece é que todo o potencial transgressivo do nu feminino acabou. A nudez como produto está enfraquecida porque não carrega mais o significado que tinha há 50 anos. 

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