Escritor Airton Ortiz dá dicas para curtir uma visita a Nova York Airton Ortiz/Arquivo Pessoal

One World Trade Center

Foto: Airton Ortiz / Arquivo Pessoal

1. One World Trade Center

O National September 11 Memorial é formado por dois enormes espelhos d'água construídos nos antigos terrenos das Torres Gêmeas. Onde havia concreto e aço agora a água flui lentamente, como a vida que se vai. Das bordas dos espelhos d'água se derrama uma cascata por mais de nove metros de profundidade, formando uma grande piscina lá embaixo.

No centro da piscina, há um poço por onde a água se precipita para o fundo de um abismo negro. As pessoas olham, olham... Parecem buscar algo lá embaixo. One World Trade Center, o edifício afunilado com 105 andares, novo símbolo de Nova York, parece deslocado no Financial District.

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2. Empire State Building

Visitar Nova York e não subir ao seu topo é imperdoável, mas nesta viagem eu quero algo diferente: poder tocá-lo de cima a baixo. Senão com as mãos, pelo menos com a sensação de que ele está junto a mim. Uma pequena conversa, e o porteiro me deixa subir ao Top of the Strand, o bar na cobertura do Hotel Strand. Do seu 20º andar, três quadras ao lado do Empire State, a visão está totalmente desobstruída.

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Peço um dry martini, pego uma mesa de frente para o edifício, e fico assim, babando entre um gole e outro. Ao anoitecer, as luzes que o iluminam brilham em cores diferentes de acordo com a estação do ano ou determinada festividade. Um luxo extra. Como se precisasse. Tão próximo de mim, elas se refletem no copo e colorem o gim do meu drinque. Embriagante. Os dois. Vale uma selfie.

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3. Blue Note

No Greenwich Village, em especial em torno da New York University, ouve-se o melhor jazz da cidade. Inicio pelo Café Wha?, onde Bob Dylan começou a carreira. O 55 Bar funciona desde a Lei Seca, em um porão difícil de encontrar. Apresenta bandas de blues a shows de Mike Stern, antigo guitarrista de Miles Davis. No Cornelia St Café, há saraus literários do Writers Room, grupo de escritores locais. E pela Village Vanguard já passaram os maiores astros do jazz das últimas décadas.

Mas a cereja desse bolo é o Blue Note, a mais famosa casa de jazz de Nova York. Tenho a sorte de assistir a Stanley Clarke. Solando em um baixo acústico, ele revolucionou o jazz, colocando o instrumento na frente da banda. Discípulo de John Coltrane, tocou com Dexter Gordon e Stan Getz e ganhou um Grammy. Na saída como um cachorro-quente na esquina, junto com outros retardatários. É, gosto mesmo de Nova York.

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4. Chinatown

Ao entrarmos em Chinatown, saímos de Nova York. Caminhar por suas aleias é uma experiência exótica atrás da outra, um passeio original a cada vez que se faça; mesmo que pelos mesmos lugares. As ruas se estreitam, fazem voltas e se transformam em becos cheios de cafés, bares, casas de chá e restaurantes escondidos atrás de velhos letreiros iluminados por luzes cintilantes; decadência que humaniza a grande cidade. E tem os cheiros. Ah, os cheiros de Chinatown! Vontade de provar de tudo.

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5. Katz's Delicatessen

Algumas coisas são boas, outras são boas demais; como o Katz's Delicatessen. O restaurante aparece no filme Harry e Sally (1989), na antológica cena em que Meg Ryan simula um orgasmo na frente de Billy Cristal. Ela nem deve ter feito muito esforço, pois saboreava o famoso sanduíche de pastrami. Ao comer a carne defumada, salpicada com pequenos grãos de mostarda escura, a sensação de prazer gastronômico é uma orgia singular. Ela é tão macia que desmancha na boca, e o pão é maravilhoso.

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Inaugurada em 1888, essa verdadeira instituição nova-iorquina se orgulha de já ter recebido quatro presidentes americanos. O último deles, Bill Clinton, comeu o tal sanduíche acompanhado de batatas fritas e uma taça de café. Prefiro uma draft beer. É lindo ver a cerveja saindo da torneira direto para o copo. Aliás, cerveja é bom de qualquer jeito. Não apenas cerveja. Tudo que é bom é bom. Como Nova York.

O LIVRO

Airton Ortiz lança Nova York, pela editora Benvirá (R$ 29,90), nesta quinta, 22 de outubro, às 19h, no Palácio do Ministério Público Federal (Praça da Matriz, esquina com Jerônimo Coelho).

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