Felipe Coelho faz apresentação como solista com orquestra norte-americana Rodrigo Sambaqui/Divulgação

Felipe Coelho também ministra palestras sobre violão brasileiro e world music nos Estados Unidos

Foto: Rodrigo Sambaqui / Divulgação

Artista que transcende gêneros e classificações temporárias para expressar a grandeza da música brasileira universal, o violonista catarinense Felipe Coelho apresenta nesta sexta-feira (16) nos Estados Unidos concerto como solista com a Ken State String Orchestra, do Estado da Georgia. Ele foi convidado a apresentar o repertório autoral que compôs para o álbum Todas as Direções, de 2013. O espetáculo representa um ponto alto em sua carreira e também para a música de Santa Catarina e poderá ser acompanhado ao vivo no Brasil pela internet, às 21h.

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Herdeiro da musicalidade do Sul do Brasil, mas conectado às sonoridades do mundo inteiro, Coelho combina o perfeccionismo racional com o fruir da intuição e sutileza. Suas performances são cheias de sensibilidade e força, com composições hiperculturais que harmonizam influências cigano- oriental-brasileiras.

- É um momento de importância inexplicável pela projeção e alcance da obra, que começou quando um dia resolvi botar algumas ideias num papel, sem pretensões. Alimenta a energia do músico pela abertura de portas e pelo sentimento de que é possível realizar um trabalho sério frente às dificuldades do fazer artístico não comercial, aquele que atende primeiramente à expressão da alma do artista, independentemente da moda - diz.

Apesar de já ter realizado turnês por todo o mundo, é a primeira vez que tocará com uma orquestra fora do Brasil. Desde o primeiro disco, Raízes Trançadas (2007), o músico vem desenvolvendo a prática de arranjos e composição para outros instrumentos além do violão. O segundo álbum, CataVento (2009), foi para quinteto de cordas.

- Esse trabalho conquistou a confiança do maestro da Orquestra Filarmonia Santa Catarina, Gustavo Fontes, e em 2013 fui convidado para um concerto como compositor e solista. Para o show usei metade do programa para composições do CataVento, e a outra, para inéditas, buscando outros estilos como o tango argentino, a música oriental, o choro valsa e a música erudita contemporânea.

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O concerto com a Ken State String Orchestra, da Universidade de Kennesaw, terá a mesma formação realizada há dois anos em Florianópolis com a Filarmonia. Na sequência Coelho se apresentará com trio de jazz (baixo, bateria e saxofone). Além do espetáculo, ele tocará em reconhecidas casas de jazz em Atlanta e ministrará palestras sobre composição, violão brasileiro e world music.

NATURALMENTE COMPOSITOR

Felipe Coelho começou a tocar ainda menino. É mestre em jazz e arranjos nos Estados Unidos e hoje, aos 34 anos, tem quatro discos autorais lançados, prêmios e reconhecimento dentro e fora do país. No próximo mês lançará em Florianópolis o quinto álbum, Hora Certa.

Compositor incansável, diz que seu processo de criação ocorre de forma muito natural, por "brincar" com o violão e tocar coisas improvisadas a maior parte do tempo:

- Buscar sons sempre fez parte de minha relação com o instrumento. De dois em dois anos, em média, todo um novo repertório de composições surge e então é lançá- las para que existam fora da minha mente ou do meu quarto. É um trabalho sem muita metodologia, mas resultante da minha personalidade e do que me faz feliz.

Discípulo de violonistas como Paco de Lucía, atualmente tem se inspirado na música oriental, principalmente por causa da profundidade e complexidade rítmica.

DIÁRIO CATARINENSE
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