Filas extensas apontam tendências de jogos na Brasil Game Show reprodução/Divulgação

O jogo "Call of Duty — Black Ops III" é um dos blockbusters mais aguardados pelos visitantes da Brasil Game Show 2015

Foto: reprodução / Divulgação

Termina nesta segunda-feira a Brasil Game Show, maior feira de games do Brasil e uma das maiores da América Latina. A grandiosidade do evento, que reuniu os principais nomes do segmento, como Microsoft, Sony, Warner, Actvision, Ubisoft e Nvidia, mostra a força de um mercado que só no ano passado movimentou US$ 1,5 bilhão no Brasil — e deve crescer 13% ao ano até 2019, segundo a consultoria Euromonitor International.

Brasil Game Show, em São Paulo, apresenta novidades em jogos e periféricos para gaming

Zero Hora esteve por lá e selecionou alguns dos destaques do encontro, que apontou tendências, confirmou força dos gigantes, mas também deu espaço para os pequenos.

Exclusivos para PlayStation e Xbox

Para o público experimentar, cabines com PlayStation 4 recebiam filas quilométricas para Uncharted Collection (foto), Dark Souls 3 e Saint Seya: Soldier's Soul.
Foto: playstation.com / Divulgação

As duas maiores estrelas da feira novamente apostaram em conteúdo exclusivo para atrair gente. Ao contrário das últimas edições, desta vez a Microsoft não ocupou metade do estande com um carro de Stock Car para promover seus jogos de corrida — mais inteligente, optou por oferecer ao público uma dúzia de simuladores que continham o recém-lançado Forza Motorsport 6.

Com mais espaço, montou cabines onde era possível conferir blockbusters ainda inéditos, como Halo 5 — Guardians e Rise of the Tomb Raider, além da remasterização de Gears of War. A área para jogos independentes exclusivos do Xbox One seguiu a mesma linha, mostrando promessas (como Cuphead) e o já lançado Aritana e a Pena da Harpia, da produtora paulistana Duaik Studios. Para jornalistas, a empresa mostrou uma demo do jogo de ação Quantum Break, previsto para abril de 2016.

Jogamos Star Wars Battlefront na versão para PlayStation 4

Do outro lado da rua, a Sony trouxe um dos jogos mais aguardados pelos fãs de luta, Street Fighter V, exclusivo para PlayStation 4 até segunda ordem. A atração contou com a presença do produtor do game, Yoshinori Ono, que aproveitou para revelar oficialmente a polêmica lutadora brasileira Laura.

A portas fechadas, a empresa mostrou dois dos seus jogos inéditos mais antecipados: Uncharted 4, conclusão da saga do aventureiro Nathan Drake, e Horizon Zero Dawn, impressionante game de mundo aberto — ambos previstos para 2016. Para o público experimentar, cabines com PlayStation 4 recebiam filas quilométricas para Uncharted Collection, Dark Souls 3 e Saint Seya: Soldier's Soul.

A polêmica nova lutadora de Street Fighter


Personagem de Street Fighter V, Laura é uma morena de seios fartíssimos que foi apresentada oficialmente na Brasil Game Show — apesar de ter sua figura vazada dias antes por uma revista japonesa.
Foto: streetfighter.com / Divulgação

Rio de Janeiro, Carnaval, pássaros tropicais, capoeira e sensualidade. Misture tudo isso, eleve ao quadrado e capriche na caricatura: eis o Brasil em Street Fighter V, representado por Laura. A lutadora, uma morena dona de seios fartíssimos e de movimentos que valorizam suas curvas sinuosas, foi apresentada oficialmente na Brasil Game Show — apesar de ter sua figura vazada dias antes por uma revista japonesa.

Música e dança também fazem sucesso na Brasil Game Show

Produtor de SF V e responsável pelo visual de Laura, o japonês Yoshinori Ono esteve pessoalmente na feira para revelar a estátua da lutadora e explicar que, sim, tanto Laura quanto seu cenário são visões exageradas do Brasil — que visitou em 2011.

E bota exagerado nisso: vestindo uma calça de capoeira verde e amarela que combina com um top decotado com a mesma combinação de cores, Laura recebe os adversários em um cenário que contém passistas de escola de samba, turistas, vendedores de frutas, bonde, tucanos, a Escadaria Selarón e o Corcovado — que ao invés do Cristo Redentor, exibe a taça da Copa do Mundo. Resta o consolo de que, pelo menos, não nos vêem mais como um monstro que habita a floresta amazônica...

Realidade virtual: e aí?

Grande aposta no futuro da jogatina, a realidade virtual marcou presença e causou furor em na Brasil Game Show. No espaço da Nvidia (desenvolvedora americana especializada em tecnologia de processamento gráfico), o público formava filas de dobrar o quarteirão para experimentar o Oculus Rift.

O sistema de realidade virtual do Facebook foi apresentado pela primeira vez no Brasil rodando com as placas de vídeo da empresa — que os gamers puderam conferir literalmente entrando nos jogos Eve: Valkyrie AirMech. Segundo Richard Cameron, diretor geral da Nvidia no Brasil, a tecnologia deverá estar disponível para o consumidor final em 2016.

— Não há dúvida de que a realidade virtual está no futuro dos videogames e merece atenção e investimento. Nós inclusive temos um programa chamado GamerWorks VR que conta com 300 engenheiros de software que desenvolvem bibliotecas e ferramentas para desenvolvedores de jogos.

Óculos de realidade virtual Rift começarão a ser vendidos em 2016

Por enquanto, a maioria dos fabricantes ainda engatinha neste universo em terceira dimensão, mas Cameron acredita que o lançamento do dispositivo será suficiente para que a produção de jogos se torne maior e mais diversificada.

— A chegada do hardware ao mercado será a fagulha que falta para que milhares de desenvolvedores comecem a trabalhar, inclusive desenvolvedores independentes — diz.

O avanço dos indies no mainstream

O avanço da tecnologia permitiu a criação de jogos indies cada vez mais bonitos e sofisticados, como mostram indie games como o Horizon Chase, da gaúcha Aquiris.
Foto: horizonchase.tumblr.com / Divulgação

Durante muito tempo, grandes produtoras e público em geral olhavam com desconfiança para jogos e desenvolvedores independentes — que nada podiam fazer a não ser recolherem a um nicho de mercado que conseguia, quando muito, se manter em pé. Na BGS 2015, parece que o jogo virou — ou, pelo menos, tornou-se mais justo. O avanço da tecnologia permitiu a criação de jogos indies cada vez mais bonitos e sofisticados, o que legou a gigantes como Microsoft e Sony a abraçarem a causa — como mostravam seus estandes salpicados de indie games como o Horizon Chase, da gaúcha Aquiris.

Youtubers recebem tratamento de celebridades no Brasil Game Show

Lançada há 45 dias para dispositivos móveis, a carta de amor da produtora aos jogos de corrida de 8 e 16 bits fez tanto sucesso que acabou convidada pela Sony para engrossar a biblioteca de jogos do PlayStation 4. Na BGS, um protótipo da versão para console podia ser testada pelo público (o lançamento oficial deve ficar para o começo de 2016).

Segundo Sandro Manfredini, um dos sócios da Aquiris, o grande barato de colocar o jogo em uma plataforma caseira é a possibilidade de explorar outras potencialidades, como o multiplayer com tela dividida e acréscimo de novas pistas. Além do mais, vai ser o primeiro passo para uma necessária diversificação de plataforma:

— Esse lançamento em console vai ser uma experiência nova para a gente do ponto de vista de mercado e usuário. Consoles trazem muito o tipo de jogos gostamos de fazer, que fogem da linha free to play, mas a ideia não é focar em uma só, não. São raros os projetos hoje que vivem só de uma plataforma, então acho que podemos ganhar um pouquinho em cada.

Assediados feito celebridades, youtubers dominam o universo gamer

Esteban Lora, gerente de negócios do programa para jogos independentes da Microsoft, o ID@Xbox, elogia o desempenho da comunidade indie brasileira, que colocou este ano o primeiro game brazuca no Xbox One — o bonito Aritana e Pena da Harpia.

— O que mais me impressiona é a paixão dos criadores pelos seus produtos. Eles realmente acreditam no que estão desenvolvendo, então fica fácil de trabalhar. Aritana foi o primeiro, mas temos vários outros jogos brasileiros vindos por aí, jogos que, apesar de conterem o DNA brasileiro, poderão fazer sucesso em todo o mundo.

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