Gustavo Brigatti: a grande virada de "Destiny" reprodução/Divulgação

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Conhece a expressão "trocar o pneu com o carro em movimento"? Ela serve para situações de pressa exagerada e certo desespero de causa – e, via de regra, resulta em fracasso. Há duas semanas, a Bungie provou que é possível se dar bem executando essa arriscada manobra. E fez isso com uma Ferrari chamada Destiny.

Lançado em setembro do ano passado, o game prometia uma revolução. Servindo-se do motor gráfico da novíssima geração de consoles, o jogo seria o primeiro para esse tipo de plataforma a ter elementos de MMOs (Multiplayer Massive Online) aplicados na prática – como uma área de socialização e jogatina infinita depois do término da história principal. Mais: ele seria "vivo", oferecendo atualizações constantes para o seu universo.

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Só que não foi bem assim. Na prática, Destiny se revelou um jogo de tiro dos mais triviais. O ponto mais baixo era o enredo, quase inexistente. Seus personagens eram pouco carismáticos e não interagiam quase nada. Para piorar, a mecânica deixava o jogador "travado" em um limbo de onde só saíam os mais insistentes – ou seja, um jogo para poucos, algo inadmissível considerando o investimento de meio bilhão de dólares que Destiny consumiu.



Mesmo assim, Destiny teve competência para arregimentar uma base de fãs grande o suficiente para impedir que a Bungie o matasse lançando uma simples continuação. Ao invés disso, a produtora lançou a expansão O Rei dos Possuídos, que recauchutou esse universo já existente com alterações precisas (mas profundas) em mecânica e enredo.

Primeiro, ficou mais simples subir de nível e conseguir armas poderosas – o que tornou a jogatina mais instigante e divertida, sem comprometer o fator desafio. Segundo, investiu na trama e nos personagens, adicionando mais história e explorando as personalidades dos personagens.

O fantasma, seu fiel companheiro, agora tem funções reais além de tagarelar sem parar – tipo investigar partes do cenário. Outra: as missões paralelas têm relação direta com o mundo de Destiny e trazem informações relevantes sobre o enredo.

Com isso, Destiny começou finalmente a mostrar a que veio. Mais do que um jogo, o destino do game da Bungie é virar um serviço, um produto realmente vivo, na linha de League of Legends e Minecraft. A produtora parece ter entendido que, mais do que um mundo gigante e bonito a ser explorado, o jogador quer um universo que faça sentido e onde ele esteja representado.

Com O Rei dos Possuídos, Destiny parece finalmente estar gerando engajamento. Se continuar nessa pegada, tem potencial para virar aquele tipo de jogo eleito para ser o único a ser jogado. E não dá para querer menos do que isso.

SEGUNDO CADERNO
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