Gustavo Brigatti: como o Brasil é representado nos games streetfighter.com/Divulgação

Foto: streetfighter.com / Divulgação

Uma capoeirista sensual em um cenário que reúne passistas de escola de samba, tucanos e o Corcovado. Esse é o Brasil representado por Laura em Street Fighter V, game com lançamento previsto para 2016. Durante a sua divulgação, há coisa de uma semana, muita gente achou que os gringos haviam pesado a mão no estereótipo. Besteira: a coluna está aqui para lembrar que, salvo raríssimas exceções, nossa imagem nos games nunca foi diferente – em outra hipótese, somos um monstro da Floresta Amazônica. E pensar que já reclamamos de uma portuguesa com frutas na cabeça...


 
BRASILEIRO, PERO NO MUCHO
Eis aqui dois brasileiros que fugiram do estereótipo e, talvez por isso, muita gente não bata o martelo sobre a nacionalidade deles. Um é Carlos Miyamoto, de Final Fight 2, um magrão que veste conjunto jeans com botas amarelas e carrega uma espada samurai – quer dizer, tão brazuca quanto um barco de sashimi. O outro é Carlos Oliveira, militar que aparece em Resident Evil 3: Nemesis e que poderia se passar por mexicano, argentino ou italiano – ou seja, um mix de gente igual a todo... brasileiro.
 
FÁBRICA DE MONSTROS
Quando não somos capoeiristas, somos... monstros. Pelo menos nos jogos de luta, onde o mais célebre representante brasileiro é Blanka. O monstrengo apareceu em Street Fighter 2 como um sobrevivente de acidente aéreo que, perdido na Floresta Amazônica, torna-se um mutante com poderes elétricos. Outro brasileirinho fofo é Rikuo, de Darkstalkers. O tritão, além de verde e amarelo, habita um reino nas profundezas dos rios da Amazônia.

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EU SÓ QUERO É SER FELIZ...
Brasil para gringo ver é litoral. Brasil para gamer jogar é favela. Não tem jeito. A nova personagem do Street Fighter V, como dito ao lado, luta em um cenário de Corcovado, taça da Copa e escadaria Selarón. No Call of Duty: Modern Warfare 2, de 2009, uma das fases se dá no Rio de Janeiro, quando o jogador precisa prender um contrabandista escondido em uma... favela. Menos Rio e mais São Paulo – mas ainda no clima do morro –, há também Assassin’s Creed 3, cuja a reprodução rendeu até um pedido de desculpas da produtora, e Max Payne 3.

PARANAUÊ, PARANUÊ, PARANÁ
A capoeira é parte integrante da cultura brasileira da mesma forma que o samba, a caipirinha e o futebol. Como parece errado brigar usando um pandeiro, nada mais natural do que os nossos representantes descerem o braço nos adversários com muita malemolência. Eddy Gordo (Tekken 3), Christie Monteiro (Tekken 4), Richard Meyer (Fatal Fury) e, claro, Laura (Street Fighter V) estão entre os capoeiristas que nos representam nos jogos de luta. A exceção é justamente o irmão de Laura, Sean Matsuda, que luta caratê em Street Fighter III: New Generation.

SEGUNDO CADERNO
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