Guto Lacaz, ícone da arte contemporânea brasileira, fala sobre trabalho, humor e novos projetos Diorgenes Pandini/Agencia RBS

Lacaz chegou na na sexta-feira na Capital e participou do programa Encontros, dO Sítio Espaço Cultural

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Na imaginação de Guto Lacaz, já vivemos o futuro. Falta só o teletransporte. Inventor de engenhocas gráficas, ilustrações ácidas e bem- humoradíssimas, esculturas disparatadas e performances críticas, o paulistano de 67 anos é referência na arte contemporânea brasileira. É um multiartista que transita por infinitos lugares, do design com utilitários à exploração de contingências tecnológicas, seguindo a tradição nonsense de Duchamp e a ironia bem brasileira.

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Ele chegou ontem a Florianópolis para participar do programa Encontros, promovido pelo espaço cultural O Sítio, na Lagoa da Conceição. Trata-se de um projeto empolgante que teve início no começo do ano com a intenção de colocar artistas consagrados em contato com o público. Em vez de trazer um caminhão de obras, como diz a curadora do local, Kamilla Nunes, traz à cidade o próprio artista para compartilhar e trocar ideias. Hoje Lacaz ministra, também lá, uma oficina de cartões tridimensionais.

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Ele tem formação em eletrônica industrial e arquitetura, mas diz ter sido salvo pelas artes. Em entrevista ao Anexo, falou sobre essa transição, o humor e as serventias da arte - dentre as quais citou, com ironia precisa, a função de "lavagem de dinheiro". Perspicaz Guto Lacaz.

Transição para as artes visuais
Sempre gostei de desenhar, de copiar figuras dos livros e revistas. Na faculdade comecei a fazer objetos sem saber que existia o mundo da arte contemporânea. Quatro anos depois de formado, vi um cartaz - Primeira Mostra do Objeto Inusitado - e pensei: acho que o que faço é isso. Me inscrevi e ganhei um dos prêmios. Fiquei encantado e mergulhei de cabeça nas artes plásticas que até então não tinham sido consideradas como opção profissional.

Tecnologia e arte
Queria ser engenheiro eletrônico. Fiz colégio técnico de eletrônica industrial, mas quebrei a cara pois era muito difícil, muita matemática pesada. Como gostava de desenhar e construir, optei pela arquitetura, que potencializou tudo o que eu gostava.

Por que e para que serve a arte?
Arte serve para muitas coisas. Registro de época, decoração, reflexão, contemplação, provocação, educação, refinamento, protesto, diversão, turismo, bem de capital, lavar dinheiro, investimento etc.

Humor, ironia e crítica social
Venho de uma família de pessoas engraçadas, sempre gostei dos cartuns nas revistas e vi que quando comecei a fazer objetos eles naturalmente saiam engraçados. Ficou sendo um de meus diferenciais em arte contemporânea. São poucos os artistas bem-humorados. Arte tem infinitos propósitos - cada observador encontrará o seu.

Inventor de coisas mágicas
Meu trabalho é visto como invenções, mas na verdade nunca inventei nada. São apenas ilusões. Alguns beiram a magia - arte que adoro.

Consumo e mídia como tema
Ainda fico de olho nos lançamentos do mercado para propor releituras - laptop, câmeras de segurança, iPads etc.

Como será o futuro
Acho que já vivemos no futuro, falta só o teletransporte.

Novos projetos
Preparo duas exposições para duas galerias diferentes em 2016. Uma terceira intervenção flutuante no lago do Ibirapuera e um livro sobre o roubo de uma obra de arte etc.

AGENDE-SE
O quê: Oficina de Pop Up (Cartões Tridimensionais), com Guto Lacaz
Quando: hoje, das 15h às 19h
Onde: O Sítio (Rua Francisca Luiza Vieira, 53, Lagoa da Conceição, Florianópolis)
Quanto: R$ 130, no local
Informações: (48) 3065-5792 / ositio.com.br

CARTÕES TRIDIMENSIONAIS

Na oficina, Lacaz ensina a criar cartões que quando abertos constroem cenas tridimensionais. Para quem quiser participar, esta é a lista de materiais:

• Papel canson A4 nas cores branco, preto, amarelo, vermelho e azul
• Revistas para extrair figuras
• Tesoura
• Estilete
• Régua de aço
• Esquadros 45° e 30°
• Compasso
• Cola bastão
• Cola branca
• Fita crepe
• Lápis
• Borracha
• Clipes

DIÁRIO CATARINENSE
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