Legião Urbana faz a primeira grande turnê sem Renato Russo Facebook/Dado Villa-Lobos/Divulgação

Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos

Foto: Facebook/Dado Villa-Lobos / Divulgação

Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, ex-parceiros de Renato Russo na Legião Urbana, começam nesta sexta-feira uma extensa temporada de shows pelo país para comemorar os 30 anos de lançamento do primeiro disco da banda brasiliense. A longa lista inclui cidades pelas quais o grupo não havia passado.

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A estreia da turnê Legião Urbana XXX anos nesta sexta será em Santos. O grupo deve passar pelo Rio Grande do Sul (14 e 15 de novembro em Pelotas e Novo Hamburgo, respectivamente; 11 de dezembro em Porto Alegre) e Santa Catarina (Tubarão, 21 de novembro; Florianópolis, 12 de dezembro). A última data do ano é 19 de dezembro, em Cuiabá. Mas a turnê deve continuar em 2016.

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O grupo vai contar com a voz do ator e músico André Frateschi em quase todas as músicas da Legião. A ideia é também chamar alguns convidados especiais. Em Santos, será o titã Paulo Miklos, para uma ou duas canções.

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O show é dividido em duas partes. A primeira repassa todo o repertório do álbum de 1985, com suas onze músicas. De Será a Por Enquanto, passando por Ainda é Cedo, Geração Coca-Cola e Soldados. A segunda, com 15 músicas incluindo o bis, apresenta hits da carreira da banda – como Quase Sem Querer, Há Tempos, Fábrica, Tempo Perdido, Daniel na Cova dos Leões. Faroeste Caboclo, Teatro dos Vampiros, Índios e Que País é Esse?.

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Uma curiosidade uniu a história de Frateschi com a Legião quando ele tinha 10 anos. Uma apresentação que fazia uma dobradinha com um show da Legião e a peça Feliz Ano Velho, em 1985, colocou o garoto no camarim do grupo, já que sua mãe, Denise Del Vecchio, era uma das atrizes.

– Eu me lembro dele. Vi aquele menino no meio dos fãs e o coloquei no camarim com a gente – recorda Bonfá.

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A direção musical do show é assinada por Liminha e o cenário é do Batman Zavareze.

Dado e Bonfá decidiram formar uma banda com músicos jovens. A segunda guitarra será de Lucas Vasconcellos (da banda Letuce), o baixo será de Mauro Berman (experiente ao lado da banda Cabeza de Panda e do rapper Marcelo D2) e o teclado, de Roberto Pollo (que toca com o Cirque du Soleil).

– Era importante, eles são mais jovens e trazem uma energia incrível ao som que fazemos – diz o baterista Bonfá.

Dado Villa-Lobos ainda recorda das dificuldades da última experiência da Legião com outro vocalista, o ator Wagner Moura, em 2012, para um especial da MTV.

– Aquele foi um show encomendado e tivemos problemas com a transmissão ao vivo que foi feita. Fora isso, o Wagner foi demais, o cara era um fã. Ele não acreditou quando fizemos o convite a ele – diz. À época, o show recebeu algumas críticas negativas sobre as desafinações de Moura.

Bonfá diz que, pela primeira vez, a banda vai tocar ao vivo, durante a temporada, a música Dezesseis. Outra que a banda quase nunca tocou ao vivo é A Dança, do disco de 1985.



Músicos desistem de lançar box depois de filho de Renato Russo reclamar direitos

Quando descobriu o tamanho da criatura que havia ganhado vida própria por suas mãos, Renato Russo foi ao microfone e proclamou ao mar de fiéis à sua frente: "A gente está aqui no palco, mas a verdadeira Legião Urbana são vocês". A verdadeira Legião Urbana, ainda mais numerosa do que na década de 80, não deve estar feliz com os últimos acontecimentos que envolvem a longa batalha por direitos autorais entre o filho e único herdeiro de Renato, Giuliano Manfredini, e os dois legionários remanescentes.

Além da turnê, Dado e Bonfá já tinham em mãos um segundo projeto fonográfico pronto e acabado. Um box que traria dois discos, um livreto e potencial para provocar êxtase nos fãs: uma remasterização do primeiro álbum da Legião que completa 30 anos, com Será, Geração Coca-Cola e Soldados, e um segundo disco com sobras de estúdio e versões de músicas como algumas que a Legião tocou para mostrar à gravadora EMI quando chegou de Brasília ao Rio. O diamante é a música 1977, que a banda gravou e nunca lançou porque Renato não gostou do resultado e acabou desmembrando-a para dar origem a outros dois futuros canhões: a melodia inspirou Fábrica e parte da letra deu vida a Tempo Perdido.

Com o box pronto, então, Dado e Bonfá receberam o comunicado de que 1977 pertencia não a eles, mas a Renato Russo e a seu filho, Giuliano Manfredini. Imediatamente, publicaram também um documento que provava o contrário. Carimbado pelo Departamento de Censura de Diversões Públicas da Polícia Federal, a letra da música em papel timbrado da EMI comprova as assinaturas da autoria de 1977: "Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá". Mesmo com a comprovação, foram informados de que a música havia sido registrada em 2003 no Ecad por Giuliano e, assim, desistiram de lançar o box.

– A questão não é dinheiro, mas moral. O herdeiro de Renato tem colocado a integridade deles em questão – diz uma fonte ligada aos músicos que não quer se identificar.

Na noite da última terça-feira, Giuliano divulgou um comunicado em nome da Legião Urbana Produções Artísticas, sua empresa: "A decisão (sobre o cancelamento do lançamento do disco) foi tomada unilateralmente pelos demais integrantes da banda". Dava a entender que apoiava o projeto. Em um segundo parágrafo, menciona o registro do Ecad de 1977: "Os demais integrantes da banda (Dado e Bonfá) questionaram a autoria em uma tentativa de apropriação da música 1977, composta integralmente por Renato Russo e cujos direitos estão divididos entre Renato Russo (75%) e Legião Urbana Produções Artísticas (25%), como atestam os registros do Ecad". 

– A família registrou os direitos e não devemos mais lançar. É lamentável – comentou Bonfá.

Simples registros no Ecad não confirmam a autenticidade de uma autoria. No máximo, podem gerar duplicidade e provocar investigação. O assunto só seria mesmo desenrolado na Justiça, algo que os remanescentes da Legião já disseram não terem mais energia para fazer. O tom do terceiro parágrafo do comunicado de Giuliano joga o abacaxi no colo de Dado e Bonfá: "No ensejo de manter viva e divulgar permanentemente a obra de Renato Russo, como sempre foi manifesto desejo do artista, a Legião Urbana Produções Artísticas deu total apoio ao projeto do referido álbum e considera a decisão por parte dos demais integrantes da banda de cancelar o projeto como uma tentativa de ofuscar o trabalho de preservação da memória de Renato Russo e impedir a livre circulação de sua obra artística."

O dilema de 1977 não interfere na temporada de shows que vão comemorar os 30 anos de lançamento do primeiro disco da banda – um alento aos seguidores. Por enquanto, quem mais perde com o álbum jogado na fogueira das ambições é uma das maiores bases de fãs que uma banda de rock já teve no Brasil. Ou, como diria Renato Russo, a verdadeira Legião Urbana.

* Estadão Conteúdo

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