Show do Nenhum de Nós em Floripa: a satisfação de não ser surpreendido Léo Cardoso/Agência RBS

Foto: Léo Cardoso / Agência RBS

Seguindo umas das principais regras do jornalismo, a de que a informação mais importante deve vir antes, avisamos que este texto contém parcialidade. E não poderia ser diferente. Afinal, quem iria a um show do Nenhum de Nós sem gostar muito do Nenhum de Nós? Só sendo obrigado. E não foi este o caso.

Como fãs assumidos*, entramos no Teatro do CIC, em Florianópolis, na noite de quinta, com a certeza do que encontraríamos. Ainda bem que não fomos surpreendidos. Pais e filhos, catarinenses e gaúchos, casais apaixonados. Leve balançar de cabeças, deslocamentos laterais de ombros, pés batendo timidamente ritmados que com o decorrer do setlist evoluíram para olhinhos fechados, mãos para cima, coro a plenos pulmões, até culminar com todo mundo de pé nas duas últimas músicas antes do bis: Paz e Amor e Vou Deixar que Você se Vá. Tudo (ainda bem) exatamente como o planejado.


Thedy Corrêa interagiu com o público que levantou das cadeiras no final do show. Foto: Léo Cardoso/Agência RBS

Este show faz parte da turnê de lançamento do disco de inéditas Sempre É Hoje, o 16º trabalho da banda em quase 30 anos de carreira (para ser exato, 29 completados no último dia 5) e que presta uma homenagem ao roqueiro argentino Gustavo Cerati, ex-vocalista do grupo Soda Stereo, que morreu em setembro do ano passado e, em 2002, gravou o álbum Siempre es Hoy.


De pai para filho: Cristiano da Silva levou o pequeno Ian, que com um ano e dois meses faz parte da nova geração de fãs do Nenhum. Foto: Léo Cardoso/Agência RBS

Mas o que menos o público queria ouvir — e isso não é exclusividade das apresentações do Nenhum de Nós — são músicas novas. Ciente disso, Thedy Corrêa e cia cumpriram o acordo tácito e não deixaram de fora os grandes sucessos. Jamais ousariam excluir do repertório clássicos como Camila, Camila, Julho de 83, Amanhã ou Depois e Você Vai Lembrar de Mim. Não importa em quantos shows já foi, se você é fã, sempre vai querer ir de novo para ouvir as mesmas músicas. Looping infinito!

Mas logo no início, depois de tocar Milagre (o interessante single de Sempre É Hoje, que deixa bem clara a influência da música argentina no trabalho) e o hit Eu não Entendo, o próprio vocalista tratou de acalmar a plateia:

— Este show é do nosso novo disco, mas um show só de músicas novas seria muito chato. É óbvio que vamos tocar TODAS AQUELAS e até algumas que vocês não esperam (as surpresas ficaram por conta de Música Ligera, do Soda Stereo, que deu origem à famigerada A sua Maneira, do Capital Inicial, e de uma surpreendente versão do samba Eu e Você Sempre, de Jorge Aragão).

ESTÚDIO ANEXO: Theddy fala sobre novo disco, a banda e suas influências

Como previsto — e desejado — o saudosismo deu o tom, mas não se pode deixar de valorizar o esforço. Ponto para os caras que com três décadas de estrada percorridas poderiam estar relançando novas versões para velhos sucessos, mas que preferem continuar na ativa, querendo mostrar trabalho, buscando se renovar para tentar se manter relevantes. Ainda assim, nada como o velho Nenhum. A freguesia, porém, apesar de fiel e tradicional, recebeu bem as novas e boas Descompasso, Total Atenção, Foi Amor e Caso Raro.

Enfim, não estamos falando aqui de uma banda para se idolatrar ou para tentar converter quem não curte, mas de uma banda que toca um baita som para se ouvir em uma viagem de carro, por exemplo, assim como fizemos na segunda-feira, percorrendo o sugestivo trajeto Porto Alegre-Floripa, já entrando no clima do que presenciaríamos nesta agradabilíssima noite. Por mais viagens e shows assim.


Missão cumprida. Foto: Léo Cardoso/Agência RBS

*A catarinense Taís Shigeoka desde o início dos anos 2000, quando alugou - sim, alugou - o Acústico em uma loja de CDs no Centro de Florianópolis para copiar em casa. Seu auge de Nenhum de Nós foi em 2010, ano em que recebeu Thedy Corrêa no programa Rádio Kzuka, no estúdio da Atlântida Floripa, onde o vocalista cantou três músicas ao vivo com violão, e ela deveras se emocionou.

O gaúcho Léo Cardoso praticamente desde que veio ao mundo, já que Camila, Camila era uma das músicas mais tocadas nas rádios brasileiras em 1988, ano em que nasceu. Acredita que curtir Nenhum de Nós não é exatamente um prazer musical, mas um exercício de nostalgia constante, pois cada clássico tem o poder singular de levá-lo para diferentes momentos do passado: o primeiro amor, a primeira fossa, o primeiro Planeta Atlântida... Ouvir Nenhum é revisitar todos esses momentos.

Confira mais fotos do show:

DIÁRIO CATARINENSE
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