Valesca Popozuda: "Fico muito feliz em ver a popularização do funk" divulgação/divulgação

Após virada na carreira, Valesca virou ícone do feminismo

Foto: divulgação / divulgação

Valesca Popozuda tornou-se um ícone do feminismo e de empoderamento das mulheres. Aos 36 anos, a funkeira iniciou um novo ciclo em sua carreira em 2013, quando deixou o grupo Gaiola das Popozudas e lançou o clipe de Beijinho no Ombro — que tem mais de 50 milhões de visualizações no YouTube.

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Valesca mudou o visual, adotou outra postura e estourou nacionalmente. Neste sábado, ela faz a primeira apresentação para o grande público em Porto Alegre, no Baile das Divas, na Arena do Grêmio (veja serviço abaixo). Por email, ela falou com ZH sobre o show desta noite, a virada na carreira, feminismo e novos projetos.

Vai ser seu primeiro show para um grande público em Porto Alegre. Qual a expectativa? O que os fãs podem esperar desse show?
Todas as vezes que estive no Rio Grande do Sul fui recebida com muito carinho. Os meus popofãs gaúchos são incríveis e me apresentar em uma festa tão grandiosa me deixa feliz e ansiosa demais. Não vejo a hora! Todo mundo pode esperar por um show cheio de novidades e com repertório especial.


Até agora, você lançou singles que fazem muito sucesso. Quando vai lançar um álbum completo?
Meu primeiro EP já está em processo de finalização e chegará aos players e compartilhadores digitais até o final do ano. O processo de escolha de repertório e estúdio é algo cheio de detalhes e demora para ficar pronto. Quero que meu primeiro álbum completo seja lindo, e para isso acontecer, temos muito trabalho.

A grande virada na sua carreira foi com Beijinho no Ombro. Quando deu o "click" de que precisava se reiventar?
Não foi uma reinvenção e, sim, o resultado de um trabalho de muitos anos que aos poucos, como tudo na vida, vem dando os resultados que esperamos.

Depois que você virou pop, no sentido de ter mudado de postura, de visual, de figurino e até com letras mais leves, a "putaria" ficou para trás? Você continua cantando músicas como Bebida que Pisca?
Na verdade, tudo é pop. Faço música popular, para público de A a Z, e sobre a mudança de visual e dos funks com letras leves, é um reflexo do mercado. Hoje, com a facilitação da internet, os proibidões perderam audiência. O menos é mais. Sim, continuo cantando os meus sucessos. O publico e eu me divertimos nos shows!


O funk é um ritmo que veio da favela e canta, na maioria das vezes, essa realidade. Nos últimos anos, houve a chamada "glamourização" do funk, e ele passou a ser consumido pelas classes mais altas. Que análise você faz desse processo?

Fico muito feliz em ver a popularização do funk. Pra mim, música é interação, então, quanto mais próxima do público estiver, melhor. É democracia!

Suas músicas não só viraram hits como expressões populares. Foi assim com Beijinho no Ombro e Sou Dessas, que hoje são usadas por quase todo mundo. Como se sente ao perceber a sua influência na vida das pessoas?
Sabe quando você sente que está no caminho certo? Me sinto assim quando ouço o eco da minha voz entrando na casa e nas vidas das pessoas.

A Tati Quebra-Barraco disse que as mulheres no funk não são unidas e isso é prejudicial para vocês. Você concorda com essa afirmação? Há muita rivalidade entre vocês? Como você lida com isso?
Admiro muito a Tati, é assim como eu, uma das ativistas da música, que não tem medo em dizer o que pensa. Não li essa declaração, mas posso falar por mim: o que acredito é que sempre que houver rivalidade, o movimento enfraquece. Mas que como somos seres pensantes e cada uma com uma vivência diferente, é difícil concordarmos em tudo. E esse é o grande segredo.

Valesca escuta Tati, Anitta e Ludmilla? Quem é sua sucessora?
Ouço todas e gosto muito, canto nos shows todos os sucessos. Sobre sucessora; não penso em parar, tenho muita lenha para queimar ainda.


Você é declaradamente feminista. Ao cantar sobre "recalcadas" e "rala sua mandada", não está se contradizendo?

Não. Ser feminista é defender uma causa e principalmente não se calar sob qualquer forma de preconceito. O que não quer dizer que eu não possa brincar em minhas letras. Afinal, o que tem de gente recalcada por ai.

Mesmo feminista, algumas das letras que você canta são escritas por seu empresário. Não é contraditório? Qual a sua participação no processo de criação delas?
Não podemos ter homens com personalidade feminista? Meu empresário é um visionário que nutre um respeito pelas mulheres de maneira linda. Eu participo dando a voz, personalidade e com o olhar critico que ajuda na criação das músicas. Não podemos driblar o preconceito com mais preconceito. Olha lá, hein, ZH...

Você não esconde de ninguém que sempre quis ser famosa. Hoje você é considerada "diva", tem uma legião de fãs ampla, que não tem barreiras sociais. É elogiada por vários setores da sociedade e até virou temas de trabalhos acadêmicos. Algum dia você imaginou que sua fama seria dessa proporção? Qual é seu sonho/projeto agora?
Nos meus sonhos sempre imaginei ser feliz. Todos os dias eu acordo com um desejo e projeto diferente, minha cabeça não pára. Sobre ser considerada diva, eu agradeço aos fãs, imprensa e a todos que me nomearam com título tão especial. Todo o carinho que recebo é o que me impulsiona a trabalhar diariamente, afinal, diva que é diva, trabalha muito todos os dias! É o que falo nos meus shows; você pode ser diva lavando roupa, levando o filho no colégio, fazendo comida. Ser diva é ser honesta, trabalhadora e ter amor no coração.

SERVIÇO
Baile das Divas

Show de funk com Valesca Popozuda, Ludmilla e MC Pocahontas.
Arena do Grêmio (Padre Leopoldo Brentano, 110). Ingressos a R$ 70 (pista feminino — 1º lote), R$ 80 (pista masculino — 1º lote), R$ 90 (VIP feminino — 1º lote), R$ 120 (VIP masculino — 1º lote), R$ 200 (área Liv e Fly feminino — 1º lote) e R$ 250 (área Liv e Fly masculino — 1º lote), à venda nas lojas Multisom e no site Minha Entrada. Neste sábado, 3 de outubro, às 22h.

* Segundo Caderno

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