Produção de videoclipes ganha fôlego em Santa Catarina com novos produtores e bandas Lionara Biron/Divulgação

O catarinense Antonio Rossa é um dos produtores audiovisuais mais procurados por músicos que querem um videoclipe

Foto: Lionara Biron / Divulgação

Quem foi adolescente nos anos 80 e 90 tem uma relação especial com videoclipes. Havia uma ansiedade interessante na espera pelo clipe passar na televisão, um momento que deveria ser apreciado ao máximo - afinal, não dava para saber exatamente quando o vídeo ia passar de novo, sentimento desconhecido pela atual geração do streaming que tem tudo a pronta entrega.

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Curiosamente, a produção de videoclipes em Santa Catarina ganhou novo fôlego nos últimos anos - bem na época que marca o fim da MTV Brasil, cuja última transmissão foi feita em 2013, e a ascensão de redes sociais e plataformas que democratizaram o acesso a todo tipo de material audiovisual. Isso porque, mesmo na era de ouro do videoclipe, era difícil emplacar as produções catarinenses na MTV ou em outros canais que também transmitem música, como Multishow, BIS e até Canal Brasil. Hoje, além das tecnologias estarem mais acessíveis, é fácil criar um canal no Youtube e fazer a divulgação por conta própria.

— O lado bom é que você faz tudo de forma independente e atinge quem tu queres atingir, mas é muito oneroso. A rede social nicha demais, mas tu consegues trabalhar num formato do teu jeito. Na MTV, tu botavas teu clipe ali e até quem não gostava de ti ficava sabendo. Temos que aprender esse novo formato, seguir no streaming que é o que tem no mercado hoje da música — comenta Antonio Rossa, que além de músico e compositor trabalha com audiovisual há oito anos e é um do expoentes dessa nova geração que produz videoclipes no Estado.

Claro que não é possível falar de clipe sem falar de música. Sem um mercado fortalecido e uma boa produção musical, não tem clipe que salve:

— O fator primordial é a música. Em Santa Catarina, tivemos bons clipes mas não me lembro de uma banda que tenha alcançado algo só por causa dele. É mais uma consequência do acesso a ferramentas tecnológicas e a informações de qualidade que aprimoraram a cadeia de produção. Tem muitos discos bons sendo lançados, estamos em um momento muito bacana de evolução no trabalho dos músicos — comenta o jornalista da área cultural Marcos Espíndola.

—  Um clipe não resolve uma carreira musical. Ele é um fragmento onde a banda vai, de alguma forma, se mostrar pra sociedade _ opina Rossa, que também dirige seus próprios vídeos — vale assistir o ótimo O Próximo Passo, lançado em novembro e gravado no Chile, Argentina e Brasil. 

Sua produtora Transitoriamente assinou o clipe Efeito Halo, da Blame, que levou o prêmio de Melhor Videoclipe no Prêmio da Música Catarinense 2015, e produções para artistas como Cláudia Passos, Meliza e Piero e Bruno Manfra

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