Carniça: a primeira podreira de Novo Hamburgo Carniça / divulgação / Divulgação/Divulgação

Foto: Carniça / divulgação / Divulgação / Divulgação

Sempre achei o termo Carniça perfeito para se batizar uma banda de heavy metal. Natural de Novo Hamburgo (RS), a banda comemora 25 anos com o relançamento de seu primeiro disco, Rotten Flesh, item aguardado com expectativa por quem acompanha a trajetória do trio gaúcho.

A história de Rotten Flesh é permeada de dedicação, camaradagem e falcatruas... Em 1997, o Carniça já tinha cinco demos-tape e, como é natural, queria maior exposição. O anúncio de uma vindoura coletânea chamada ChimaRock 3, que seria distribuída para todo o Brasil, era uma boa oportunidade para se ir além das fitas cassete.

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Carniça passou por cima das dificuldades financeiras através de patrocínios e se mandou para Curitiba gravar em um estúdio de ponta as duas canções que lhe cabiam. Rotten Flesh e Waiting to rot surgiram, mas o paranaense responsável pela coletânea simplesmente desapareceu com o dinheiro das bandas envolvidas – está aí pelos portais sociais, bem alimentado e feliz...

Mas o lesado Carniça não estava feliz com apenas duas músicas que não tinham um disco. Com pequenos ajustes em sua formação, os gaúchos transformaram a indignação em mais cinco faixas, gravaram em Porto Alegre e lançaram em 1999 o tão sonhado Rotten Flesh de forma independente.

Fundindo as bases do metal tradicional à fúria do thrash e death, ainda que de forma bem crua, o début já mostrava a essência do que conhecemos atualmente como Carniça. Inclusive a música Rotten Flesh mantém seu vigor até os dias de hoje, cuja singularidade é ser grudenta, uma raridade entre as bandas mais extremas. A aceitação foi tal que as 1.000 cópias do CD se esgotaram no mesmo ano.

Agora, a atual versão de Rotten Flesh foi toda remasterizada e o encarte devidamente atualizado. O repertório traz como bônus as ótimas Lethal agression (1991) e Love, hate and death (1992), presentes somente nas velhas demos em cassete, além de uma segunda versão da já citada faixa-título, com nova roupagem e ainda mais violenta.

Com distribuição pelo selo paulista Hunter Records, Rotten Flesh é um típico item de colecionador. Se o leitor aprecia todo o nervosismo da velha escola, tão bem representada por nomes como Slayer (que é a maior referência no som do Carniça), dê uma conferida. E vale citar que o pessoal possui ainda mais dois discos, Temple's fall... Time to reborn (2011) e Nations of few (2012), que mostram como o miasma somente aumentou ao longo dos anos. lml

Formação:
Mauriano Lustosa: voz e baixo
Parahim Neto: guitarra
Marlo Lustosa: bateria

Foto: Carniça / Divulgação

Carniça: Rotten Flesh
(1999 / 2016 – Hunter Records)
01. Rotten flesh
02. Waiting to rot
03. Ask for your life
04. Neighbor of my heart
05. Reborn of soul
06. Till the end
07. Black metal (cover do Venom)
08. Rotten flesh (bônus)
09. Lethal agression (bônus)
10. Love, hate and death (bônus)

*Ben Ami Scopinho está há mais tempo em Floripa do que passou em sua terra natal, São Paulo. Ilustrador e designer no DC, tem como hobby colecionar vinis e CDs de hard rock e heavy metal. E vez ou outra também escreve sobre o assunto.

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