Carlos Schroeder: lançamento da obra completa do escritor brasileiro Raduan Nassar reprodução/Reprodução

A editora Companhia das Letras lança a Obra Completa, de Raduan Nassar

Foto: reprodução / Reprodução

A partir de 27 de outubro as livrarias brasileiras receberão um dos livros mais aguardados do ano: Obra completa (Companhia das Letras, 464 páginas, R$ 74,90) de Raduan Nassar, um dos grandes escritores brasileiros vivos e vencedor do Prêmio Camões 2016. Nassar escreveu apenas dois livros e alguns contos, reunidos posteriormente, antes de abandonar a escrita há mais de trinta anos. Com esta breve, porém decisiva obra, firmou-se como um dos maiores escritores de língua portuguesa e, mais de quatro décadas após sua estreia na literatura com Lavoura Arcaica, romance publicado em 1975, continua sendo lido e estudado no Brasil e fora dele. Às edições nacionais seguiram-se estrangeiras e o reconhecimento da crítica internacional. Esta edição, revisada pelo autor, traz, além de Lavoura arcaicaUm copo de cólera e Menina a caminho, dois contos e um ensaio inéditos no Brasil, e conta também com extensa fortuna crítica e outros aparatos textuais que cobrem a vasta recepção a estes clássicos da ficção contemporânea.

Escravidão e feminismo

Maior símbolo da causa abolicionista nos Estados Unidos e um dos romances mais lidos de todos os tempos, A Cabana do Pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe (1811-1896) ganha uma nova tradução para o português pela Amarilys Editora, com texto integral acrescido de notas e um prefácio crítico do Ricardo Alexandre Ferreira.

Além da saga do velho Tomás do título – um escravo humilde e crente que, após anos de dedicação a um bom senhor, precisa ser vendido para quitar dívidas e acaba passando de mão em mão –, a autora costura uma série de narrativas que questiona não apenas a contradição no fato de um país fundado sob o lema de que "todos os homens nascem iguais" continuar permitindo o trabalho escravo, mas também outras questões e problemas mais amplos e incômodos.

Mulher num meio em que a literatura feminina respeitável se restringia a questões domésticas e amorosas, Stowe não só atreve-se a pôr o dedo na grande questão política de seu tempo, como também cria personagens femininas fortes que, apesar das limitações sociais, questionam o poder masculino, contornam atitudes dos maridos com as quais não concordam e até mesmo buscam vingança por maus tratos e torturas. Outros pontos são levantados no livro, assim como a fé e redenção através da religião e, também, o cenário político dos Estados Unidos em meados do século XIX.

Publicado nos Estados Unidos no ano de 1852, o livro foi uma poderosa ajuda à causa abolicionista e teve um papel crucial na Guerra Civil Norte-Americana – a Guerra de Secessão (1861-1865) –, que acabou com a derrota do Sul escravocrata e a consequente abolição legal do cativeiro de africanos e descendentes em todo o território das então já independentes treze colônias.

Diário de um leitor

Obras da poetisa brasileira Adriana Zapparoli são muito originais.   Foto: reprodução / Reprodução

A poeta e tradutora Adriana Zapparoli vem construindo, longe do burburinho dos eventos literários e do afago da grande imprensa, uma das obras mais originais da poesia brasileira contemporânea. Numa pesquisa que envolve linguagem e sexualidade, Zapparoli flerta com o teatro para colocar no palco de seus poemas a força da natureza: mangabas, ânus, orquídeas, falos e compotas dão conta de um imaginário que equipara os corpos aos planetas. Publicou, entre outros, A flor da abissínia (2007), Cocatriz (2008) e Flor de Lótus (2013), todos editados pela Lumme Editor. Seus últimos lançamentos são Orquídea e vasilisa, também pela Lume, Compota em mangaba, pela Edições Debalde, e Tulipanes Negros, em espanhol, pela editora chilena Andesgraund, todos de 2015. Destaque para Compota em mangaba (com ilustração de capa da catarinense Sarah Bauer), um poema-teatro em sete cenas que investiga a relação de um homem (ou de todos os homens) com elementos da natureza, com o dinheiro e com sua própria crueldade.

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