Fim de ano se aproxima. As luzes de Natal já se espalham pela cidade, em lojas e casas, e já dá para sentir o cheirinho de panetone pelos ares da vizinhança, além de ver narizes torcidos para as passas no arroz. Mas já é hora de balanço?

2016 foi um ano intenso. Não encontro melhor palavra para defini-lo, em todos os sentidos. E, conversando com amigos, percebo que essa sensação não é apenas minha. Estamos todos cansados de 2016.

Isso significa que foi um ano ruim? Não necessariamente. Intensidade, mesmo que nos prazeres da vida, mesmo que na colheita dos frutos de sementes que nós mesmos plantamos, cansa. Muito (mas nem é esse o assunto desta crônica).

O caso é que o cansaço me faz parar. E parar, para mim, sempre foi sinônimo de pensar. Penso no que se foi, penso no que virá. E assim, com um pé no passado agitado e outro no futuro incerto, me encontro divagando sobre o mundo.

Sempre achamos que o passado foi melhor, que foi mais fácil, que superamos nossos problemas e nos tornamos super-heróis da nossa própria história. Olhamos para os mais jovens e repetimos as ladainhas de nossos pais, nos perguntando sobre como será o futuro do mundo nas mãos desses descabeçados que hoje estão aí, entocados dentro de casa, portando celulares e tablets em vez de andar de bicicleta e jogar bola na rua.

Mas o que diziam mesmo nossos pais quando nos viam sentados à calçada com os amigos, com um deles dedilhando o violão, enquanto nós todos, com camisas pretas desbotadas e calças jeans rasgadas nos joelhos, cantávamos Pais e Filhos, da Legião Urbana?

Nesse ciclo sem fim, em que a empatia encara os humanos lá do canto da parede, sem se aproximar, continuamos a saga de julgar os mais jovens e inexperientes como incapazes. Incapazes de decidir os rumos do mundo, incapazes de escolher o curso do vestibular. Não conseguem nem mesmo fazer escolhas simples, como trocar o Facebook pelo esconde-esconde. Mas e quanto a nós, os mais velhos? A experiência nos dá sabedoria para decidir tudo com clareza?

Ah, se eles soubessem... Eu ainda me sinto como a menina de chuquinhas nos cabelos, correndo pela casa e me sentando no sofá ao lado do pinheirinho de Natal, esperando a hora de ligar o pisca-pisca na tomada e encarar o modo como a luz incidia em cada uma das bolinhas metálicas ali penduradas. Adultos pensam que sabem – e querem que os jovens acreditem nisso.

 

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