O ano letivo chegou ao fim, ou quase isso. Entre perdidos e achados, temos os que ainda estão à procura das notas, esperando o "conselho de classe do exame". Funciona assim: os alunos que não alcançaram nota mínima durante o ano esperam por uma prova que possa recuperar-lhe as esperanças de progressão e, após estas, os professores se reúnem em volta de uma mesa, como cavaleiros da távola redonda, decidindo os destinos que estão nas planilhas à sua frente. Nesta hora, o corpo docente se divide.

O primeiro time que se mostra é o dos compassivos. Mal fica sabendo que um aluno não alcançou nota mínima, o compassivo despeja sua pena sobre a mesa, narrando mil e uma histórias tristes sobre a vida do aluno, que possam ter alguma influência na sua nota baixa. Perdeu o pai, o avô, o cãozinho, o soldadinho de chumbo... Perdeu a oportunidade de estudar um pouco mais, algumas vezes, mas o compassivo não enxerga isso: ele clama por compaixão.

Depois, temos os vingadores. Com os dentes rangendo, eles enumeram um a um todos os pecados capazes de jogar o aluno sem nota na chama que arde nas profundezas do inferno: celular em mão o tempo todo, dormir nas aulas, chegadas tardias e intemperanças: malcriações, maledicências, petulâncias... E os pais, que nunca apareceram na escola, nem para conversar sobre os problemas dos filhos, quem dirá para oferecer ajuda aos professores!

Há as maria vai com as outras. Na hora em que é preciso votar se o aluno merece aprovar ou reprovar, a maria vai com as outras deixa para votar no final. Ela ama o fim da fila. Se a votação é por aclamação, ela espera ver as mãos levantadas antes de se posicionar – chega quietinha e quietinha se vai.

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Por fim, há os bipolares, os professores que ora usam um critério, ora usam outro, sem o menor discernimento. Não sei se eles não se decidiram ainda sobre o que acreditam ser certo ou ser errado, ou se há algum outro motivo oculto por trás dessa bipolaridade na opinião emitida.

Conselho de classe deveria ser uma etapa de aprendizado, principalmente o último. O que aprendemos com esse aluno durante o ano? Que habilidades ele tem além dos conteúdos de sala de aula? Se ele ficar retido na mesma série, o que ele aprenderá que não tenha aprendido neste ano? Enquanto não compreendermos isso, continuaremos nessa disputa de egos em que eu não sei quem ganha, mas há um perdedor certo: a educação.

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