Há uma inquietação constante nas pessoas que circulam de um lado para o outro nas ruas dessa cidade. Lojas entupidas de gente, mercados com corredores disputados por carrinhos de compras, esbarrões de ombros nas calçadas. Tudo acelerado, e mal chegamos ao primeiro terço do mês de dezembro. O pior de tudo é pensar que essa agitação típica de formigueiro que acabou de ser pisoteado ainda vai piorar – e muito – até a chegadas das festas.

A impressão que eu tenho é de que o ano é uma corrida de longa distância. Começamos janeiro devagar, mantendo um ritmo mais fraco, senão não daremos conta de todo o percurso. Conforme o ano vai percorrendo os dias, as semanas, os meses, vamos aumentando a velocidade aos poucos, sem ao menos percebermos. Com a chegada do fim do ano, há uma disparada ensandecida: precisamos acelerar mais, correr mais, nos apressar mais; caso contrário, perderemos. Mas perder o que, criatura de Deus?

O ano não é uma competição. A vida não é uma competição. Deixe de lado essa ideia enlouquecedora de que você está o tempo todo disputando algo com alguém. Pare de correr e respire: inspire fundo, abra os olhos e contemple o mundo enquanto expira.

Eu não sei o que acontece, mas se a gente para de prestar atenção em si mesmo, é engolido pela roda que gira sem parar, empurrando todo mundo na mesma direção e com a mesma velocidade.

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Conheço a sensação. Quando meu marido morava em Florianópolis, fui para lá passar minhas férias com ele. Mal ele saiu para trabalhar, decidi caminhar pelas ruas do Centro, contemplar a figueira da praça 15 e a Catedral Metropolitana. Antes mesmo de alcançar o calçadão, eu já me sentia ofegante: sem perceber, eu estava andando meio correndo, no mesmo ritmo da cidade que fervilha quando as pessoas caminham até seus compromissos. Mas não eu: meu único compromisso era com a minha folga!

Quantas vezes você já se pegou na mesma situação? Quantas vezes você se viu correndo contra o tempo, mesmo tendo tempo de sobra? Quantas vezes seguiu o fluxo da multidão, mesmo discordando?

Se o ano é uma maratona, se a cada dia que passa aumentamos ainda mais o ritmo de nossas pernadas, o fim de ano é a pausa de que precisamos. Sem ele, nós continuaríamos a correr, mais e mais, até que nossos corpos (e mentes) não suportassem mais a carga de pressa e entrássemos em colapso. Deus abençoe o fim de ano!

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