Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

É cada vez mais complicado achar um assento adequado numa sessão de cinema. Se antes nós conseguíamos presumir onde o público mais falante se sentaria, com o passar do tempo, o tipo de espectador mudou e o comportamento também. Assim, a falta de educação cada vez mais latente entrou em cena. Com a ausência de lanterninhas, alguns começaram a se sentir em casa e usar a poltrona da frente para colocar os pés para cima, conversar alto com a pessoa do lado e se sentir ofendida quando repreendida pelo barulho. 

Há tempo o cinema deixou de ser algo silencioso, e tenho para mim que existe uma colaboração gritante dos multiplex, que fecham os olhos para quem ultrapassa os limites. Algumas coisas seriam fáceis de fazer, como, por exemplo, não deixar entrar com mais de 20 minutos de filme. Porém, a maioria dessas decisões passa pelo consumo. Muitas vezes as pessoas chegam atrasadas pela fila na bombonière. Portanto, precisaria ter uma organização para definir alguns limites. A outra mais importante é a volta do lanterninha. Reprimir o grupo de jovens que jogam pipocas em outras pessoas ou batem boca com quem pede silêncio.

Nas últimas sessões que peguei no Cinesystem do Iguatemi e no Continente Park Shopping, eu encontrei os cinco piores tipos de espectador que você pode ter em uma sessão, que listo abaixo:

1. O espectador iluminado

Vocês provavelmente conhecem o tipo: o que não desgruda o olho do celular em nenhum momento do filme. Sempre está ali, com ele na mão, acessando o Facebook, enquanto está passando o filme. Infelizmente, o clarão da tela não é exclusivo, atrapalhando todos que se encontram em volta. A cada três sessões, duas delas sempre têm um desses.

2.  O espectador narrador

Esse é aquele que necessita fisicamente falar em voz alta tudo que passa no filme. "Olha lá, agora ele vai pegar a arma. Será que ele vai matá-lo? Ih, olha lá, ele matou". Esse tipo de espectador depende muito do lugar. Geralmente, eles se concentram mais no meio da sala, mas cuidado, pois eles também podem estar mais ao fundo. 

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3. O espectador entendido

Na maior parte das vezes, esse tipo de espectador está em casal. Ele precisa contar para seu parceiro ou sua parceira cada etapa do filme. Às vezes, estão entre amigos também. Na sessão de Logan, por exemplo, um espectador entendido sentou exatamente atrás de mim e começou a explicar cada HQ de Wolverine que era citada no longa-metragem para o colega do lado.

4. O "massa véio"

Esse é mais raro. Encontrado mais nos filmes da Marvel. São os que chegam a se levantar da poltrona para vibrar com a violência ou com uma cena em específico. Impressiona-se ao nível de bater palma durante a sessão. O mais bizarro desse tipo que encontrei foi numa sessão de O Nascimento de uma Nação, onde uma cena de decapitação gerou aplausos.

5. O do grupinho

Felizmente, caminha para extinção. Lembra-se dos jovens adolescentes que iam ao cinema em grupos para conversar alto, jogar pipoca do fundo para o meio da sala e provocar uns aos outros durante o filme? Eles são situacionais, agora. É mais comum encontrá-los em estreias de filmes, sessões dubladas ou blockbusters. Já peguei uma sessão de Star Wars em que as pessoas gritaram durante um beijo, em comemoração, mas a pior delas foi A Viagem, quando o grupinho não havia conseguido lugares próximos e começaram a conversar um com o outro em poltronas diferentes sobre o beijo homossexual do filme. "Você gosta disso, né?", um adolescente perguntava ao amigo. Outro momento repulsivo ocorreu numa sessão de Faroeste Caboclo, quando uma moça de um grupinho gritou "ui, que nojo" para os amigos ao assistir a um beijo interracial.

***

Os multiplex precisam trabalhar para prevenir que suas sessões se tornem cada vez mais deprimentes para os cinéfilos que os frequentam. É importante não confundir o público fiel.

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