Lollapalooza: gostos são gostos, negócios de Perry Farrel à parte Breno Gaultier/Divulgação

Apresentação do DJ Borgore no Palco Perry, no Lollapalooza 2017 

Foto: Breno Gaultier / Divulgação

Numa entrevista recente a um jornal de Chicago, o criador do Lollapalooza, Perry Farrell, disse que odeia o EDM (Eletronic Dance Music). A ironia é que o palco de seu próprio festival dedicado ao gênero eletrônico leva o seu nome e não para de crescer. Este ano, ele teve o visual remodelado, cresceu de tamanho, ganhou um soundsystem superpotente, canhões de papel e de luz e mais capacidade de público. Para ser justo, Farrell disse no sábado, ao jornal O Estado de S. Paulo, que talvez tivesse se expressado mal. 

Na tarde do domingo, 26, ficou nas mãos do polêmico DJ israelense Borgore agitar o palco Perry com seu dubstep pesado, o que ele fez com facilidade – a polêmica que o envolve tem relação com letras de algumas de suas músicas que seriam desrespeitosas para algumas pessoas. Mas o talento dele é muito claro: ele mixa sucessos do rock com os baixos marcados do dubstep com mais desenvoltura que a dupla Chainsmokers, por exemplo, que encerrou o Palco Axe no sábado. 

O Perry é o único palco do festival que tem uma logística de entrada e saída por dois lugares diferentes, lição básica que facilita muito a circulação de tanta gente, mesmo com a capacidade limitada – uma das grandes falhas do Lollapalooza este ano foi a movimentação de tanta gente entre os palcos. 

Mesmo ali, porém, havia filas enormes e demoradas nos bares. O Lollapalooza deve a resposta da seguinte pergunta: por que é tão difícil o público conseguir pegar cerveja num festival cujo principal patrocinador é a maior cervejaria do mundo? 

O maior espaço à música eletrônica se revela um tiro certeiro de Perry Farrel. Com a ausência do Tomorrowland no Brasil, e com a comprovada fidelidade de um público capaz de pagar preços altos para passar horas em maratonas eletrônicas, o ex-punk líder de uma banda essencialmente orgânica dos anos 1980, o Jane's Addiction, Farrel revela que gostos são gostos, não negócios. Aos poucos, seu evento vai aumentando a carga de atrações influenciadas pela música eletrônica sobretudo dos anos 80. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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