O jogo de Svevo 

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Uma gozação bem-sucedida (Carambaia, 224 páginas, R$ 49,90), do italiano Italo Svevo (1861-1928), se passa em 1918, ano em que a cidade portuária de Trieste sai do domínio austríaco e é finalmente anexada à Itália. Esse ¿curto romance de uma brincadeira¿, como classificou certa vez seu autor, chega ao Brasil pela primeira vez, com tradução e posfácio de Davi Pessoa, professor de literatura italiana na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), e projeto gráfico de Elisa von Randow.

O romance do autor italiano (autor do clássico A consciência de Zeno) conta a história de uma farsa aplicada em um escritor em busca da consagração. Mario Samigli tem 60 anos e vive com o irmão, que sofre de gota, em Trieste. Tem uma vida vagarosa, porém feliz, com um emprego burocrático que lhe garante um salário ao fim do mês. Essa existência é temperada pelo sonho de um tardio reconhecimento público de seu talento como literato.

A produção de Samigli como escritor resume-se a um romance escrito quatro décadas antes e às fábulas sobre pequenos animais, como moscas ou pardais, que rabisca diariamente. Até que um amigo apresenta-lhe um grande editor de Viena interessado em adquirir, por 200 mil coroas, o direito de tradução em todo o mundo de seu livro de juventude. O projeto logo se revelaria uma farsa.

A vida de Italo Svevo e Mario Samigli se assemelha em muitos pontos. Svevo também escreveu dois romances na juventude, editados por conta própria, que foram ignorados por público e crítica. Como seu personagem, depois do insucesso, deixou a literatura e foi trabalhar em outro ramo – no caso de Svevo, na firma de pintura de navios do sogro. As trajetórias se separam, entretanto, no momento em que Svevo, com mais de 40 anos, por necessidades profissionais resolve estudar inglês. Tem como professor um jovem irlandês de vinte e poucos anos que passava uma temporada em Trieste: James Joyce. Os dois se tornam amigos e é Joyce quem acaba estimulando Svevo a voltar a escrever, depois de ter lido, entusiasmado, os dois livros esquecidos.

Apenas aos 62 anos Svevo lançaria a obra que, enfim, o consagraria: A consciência de Zeno. Uma gozação bem-sucedida foi escrito três anos depois. Perto de sua morte – Svevo faleceria em um acidente automobilístico em 1928 –, o autor parece criar uma fábula, em tom de farsa, sobre o próprio percurso.

Drummond

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A edição de abril do Cândido, jornal mensal editado pela Biblioteca Pública do Paraná, traz como destaque um especial sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). No ano em que se completam três décadas da morte do autor, o jornal discute a presença do poeta no imaginário nacional, seus temas, linguagem e repercussão no meio acadêmico.

Uma reportagem apresenta as principais características da produção do mineiro nascido em Itabira e radicado no Rio de Janeiro. Drummond foi reconhecido em vida, inclusive por pessoas que não leem poesia, devido à sua atuação como cronista. "O que ele produziu é incontornável para quem se proponha a viver do texto. Os 30 anos de sua morte e as leituras que se renovam indicam isso. Ele segue vivo", afirma o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Wilson Alves-Bezerra.

O especial conta com um ensaio inédito do professor da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Roncari, em que o estudioso explica como os livros A rosa do povo (1945) e Claro enigma (1951) formam um par que se complementa e, em sua opinião, representam o ápice da escrita do autor. E a equipe do Cândido apresenta seis livros essenciais de e sobre a produção drummondiana.

O Cândido tem tiragem mensal de 10 mil exemplares e é distribuído gratuitamente na Biblioteca Pública do Paraná e em diversos pontos de cultura de Curitiba, mas também em outros pontos do Brasil. O jornal também circula em todas as bibliotecas públicas e escolas de ensino médio do Estado. É enviado, pelo correio, para assinantes, a diversas partes do Brasil. É possível ler a versão online do jornal em www.candido.bpp.pr.gov.br. O site também traz conteúdo exclusivo, como entrevistas, vídeos e inéditos.

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