Diva do carimbó aos 77 anos, paraense Dona Onete faz show de estreia na Capital neste sábado Divulgação/Divulgação

Cantora lançou o primeiro disco em 2002, aos 72 anos, mas a paixão por música vem dos tempos de criança 

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— Aí que é a terra dos manezinhos e do Guga?

A cantora e compositora paraense Dona Onete, 77 anos, fez questão de mostrar que se preparou para o show que faz na Capital catarinense neste sábado, no Babilonya Club, em entrevista por telefone com o DC. É a primeira vez que ela vem apresentar seu carimbó chamegado, como ela chama o gênero musical de origem amazônica, em Santa Catarina.

— É chamegado porque tem letras gostosas que as pessoas querem ouvir, com o jeitinho de ombro que eu faço no palco. A plateia até já imita. É um jeito carinhoso, sorrindo, interagindo com o público. Tem cantor que chega, canta e nem conversa — explica Dona Onete.

Para quem ainda não conhece o talento da música popular brasileira do Pará, um breve resumo: Dona Onete tinha fama de cantar para os botos desde menina em Cachoeira do Arari, na região do Marajó, onde nasceu. Professora, teve que esconder suas composições do primeiro marido, que era ciumento. Foi secretária de Cultura do Município de Igarapé-Miri, separou-se, casou-se novamente, ficou viúva e se aposentou – só então começou a se dedicar inteiramente à música.

— Eu escrevia e o povo achava a minha voz bonita. Depois que me aposentei e vim para Belém, fui dar uma canja um dia e uma banda (o Coletivo Rádio Cipó) ouviu minha voz sem me ver. Eles pensavam que eu tinha uns 25, 30 anos. Chegaram lá e viram que eu era idosa — relembra.

Ela começou a se apresentar ao lado do grupo e a parceria fez com que Dona Onete ficasse conhecida entre o público jovem. Ela lançou seu primeiro CD, Feitiço Caboclo, em 2012, aos 72 anos, com muito carimbó, lambada, guitarrada e doses generosas de bolero. O segundo, Banzeiro, nome que faz referência às ondas provocadas por motores de barcos nos rios da Amazônia, veio em 2016. Recentemente, lançou Boto Namorador, gravada especialmente para a nova novela das 21h, A Força do Querer.

— Tem uma pitada dessa coisa que vocês gostam, de sensualidade. Eu não agrido ninguém, só falo de amor. Acho que agora eu sei o que meu público quer ouvir. Eu misturo tudo, canto boleros amorosos, carimbó, depois banguê, fica muito bem temperado.

Assista ao clipe de No Meio do Pitiú:

"Aceita, quem é inteligente não rejeita"

Uma das canções do segundo disco, Na linha do arco-íris, com os versos acima, fala sobre diversidade LGBT e seu lançamento foi, para Dona Onete, um ato de bravura. Ela lembra que começou a cantar a música no aniversário de Belém, para milhares de pessoas, amedrontada, mas que a composição foi bem aceita pelo público.

— Meu amor, foi muita coragem, eu com 77 anos, fazer isso. Mas não podia ficar calada sendo uma professora e conhecendo sofrimentos de pessoas que não podem dizer nada para os pais. Já eu, tenho o direito de falar. Esse público me segue muito. Foi uma composição que fiz para uma fã que eu tinha. Ele tinha 20 anos e faleceu sem ter contado pra família — emociona-se.

Agende-se
Show de Dona Onete com abertura dos grupos Cores de Aidê e Coco Gabiroba
Quando: sábado (8), a partir das 20h
Onde: Babilonya Club (Estrada geral da Joaquina, 1643)
Quanto: ingresso a R$ 100 e R$50 (meia e entrada social, mediante doação de 1kg de alimento não perecível). À venda no site Sympla. Na hora, a entrada social também estará valendo
Mais informações pela página do evento no Facebook

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