Ligue-se e embarque em busca da viagem eterna com a banda Bike  Cassio Cricor/Divulgação

Com o mundo em chamas, grupo paulistano dá uma banana para a realidade e vai fundo no escapismo no segundo disco

Foto: Cassio Cricor / Divulgação

"Quando as coisas ficam estranhas, os estranhos viram profissionais".
Hunter S. Thompson (1937-2005), jornalista e escritor norte-americano 

Que mané Kendrick Lamar o quê! O rapper angeleno que se contente com a aclamação generalizada, porque há experiências inadiáveis se manifestando no Brasil. O disco novo do Bike, por exemplo. Representante da renascença psicodélica nacional, a banda paulistana embarca em uma aventura sem saber onde vai parar, mas aproveitando cada lampejo para expandir a consciência com Em Busca da Viagem Eterna. Os ciclistas estão chegando, estão chegando os ciclistas. Primeiro mais perto, depois mais alto do que o céu. 

Além do título do álbum, músicas com nomes como Do Caos ao Cosmos, Psicomagia, A Divina Máquina Voadora ou O Retorno de Saturno deixam evidente a dimensão perseguida pelo quarteto. Pelas nove faixas reluz todo o vocabulário – ou, como prefere a realidade linear, clichês – do almanaque extrassensorial: sol, grão de poeira, estrada iluminada, brisa, caminho transcendental, sonho profundo, fumaça roxa, essência, paz celestial, mar, portas da percepção, sapos flamejantes, sonhos e estrelas.

A natureza, o universo, a vida & tudo mais são embalados por uma atmosfera densa, onde o lado escuro da lua é apenas uma escala de uma jornada em que não falta nem a tradicional ponte com o Oriente, erguida em A Montanha Sagrada. No lado prático, o arco-íris que se formou com o trabalho de estreia, 1943 (incluído entre os melhores de 2015 por esta coluna, aliás), agora estende-se também por shows na Espanha, Portugal e Inglaterra. O que leva à questão: aqui e alhures, será por acaso a ascensão de grupos como o Bike, que propõem o escapismo?

Foto: Cassio Cricor / Divulgação

Tramas sutis

A gente que associa o som do Pará ao tecnobrega precisa rever seus conceitos e conhecer (Leonardo) Pratagy. O segundo disco do rapaz, Búfalo, envereda pelo pop adulto com uma fineza ímpar. Mesmo os esparsos acenos à influência local – como a batida da faixa-título – contribuem para a delicadeza do conjunto. Dos vocais aos timbres das guitarras e dos sintetizadores, o trabalho flui em velocidade de cruzeiro na leveza de Tramas Sutis, De Repente ou (Music) Make me Feel. 

LANÇAMENTOS 

Resistance Radio: The Man in the High Castle Album – inspirada na série homônima exibida pelo canal HBO e ambientada nos anos 1960, a compilação reúne interpretações de 18 artistas para clássicos da época. Só por trazer Can't Help Falling in Love cantada por Beck e Love Hurts pelo Grandaddy já vale a conferida, mas ainda tem The End of the World (Sharon van Etten) e Unchained Melody (Norah Jones) para dobrar os espíritos mais teimosos. 

Laetitia Sadier Source Ensemble, Find me Finding You – Em seu projeto solo, a vocalista do cultuado Stereolab não inventa moda e trafega pelo ambiente seguro já explorado pela banda. Love Captive (dueto com Alexis Taylor, do Hot Chip) e Double Voice, Extra Voice confortam com texturas retrofuturistas nas quais se identifica bossa nova, lounge music e um vago ar indie, entre outros elementos que proporcionam bem-estar.

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