Criolo dá um tempo no rap e ataca de sambista em Espiral de Ilusão Instagram/Divulgação

Em novo disco, o rimador que quebrou barreiras no hip hop nacional se torna o cantor reverente aos mestres do samba

Foto: Instagram / Divulgação

Lá vem Criolo com seus lararás. Amante assumido de samba, o rapper paulistano lançou na última sexta-feira um disco inteiro devotado ao estilo. Espiral de Ilusão vem acompanhado por uma revista com uma entrevista com ele, as cifras e as letras das dez faixas, todas inéditas – o pacote (MP3s e PDF) está disponível para download gratuito no site do artista. Durante pouco mais de meia hora, o rimador que quebrou barreiras no hip hop nacional se torna o cantor reverente aos bambas do gênero. Sai a inovação, entra a tradição.

O tipo de samba que Criolo apresenta agora é da mesma linhagem que já tinha aparecido em amostras como Linha de Frente (do álbum Nó na Orelha, em 2011) e Fermento pra Massa (de Convoque seu Buda, em 2014): puro, movido apenas a cavaquinho, violão de sete cordas, percussão, sopros e coros, sem procurar nenhuma batida perfeita resultante de uma eventual  mistura com rap. As variações ocorrem dentro do próprio universo do ritmo, na cadência de vertentes que vão do fundo de quintal ao recôncavo baiano.

Exceto nas politizadas Menino Mimado e Cria de Favela, os versos relatam situações cotidianas com mais cara de presepadas do que de denúncias e, principalmente, sofrem por desamores. Mas ainda é difícil associar o sambista Criolo ao dengo de Martinho da Vila (Lá Vem Você), ao lirismo de Paulinho da Viola (Dilúvio da Solidão) ou à malandragem de Moreira da Silva (Filha do Maneco) sem forçar alguma barra. "O samba não é quando você quer, é quando seu coração está preparado", diz ele. Resta saber se os fãs também estão.  

Delícias do campo
A pacata São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, vai mais uma vez estremecer com o Rural Rock Fest. O festival, que estava em estado de animação suspensa desde 2008, desperta de 12 a 14 de maio com uma série de atrações (em ordem alfabética, para evitar ciumeira): Alkanza, Apicultores Clandestinos, Babba, Blame, Burn, Circo Quebra Copos, Da Caverna, Eutha, Five Boys, Katts, Leite de Velha, Napkin, Ninguém Sabe, Os Costeletas, Os Indirigíveis, Parafuso Silvestre, Tumor do Bile, Reus, Rock Roach, Skrotes, The Dolls e Zoidz. Os ingressos estão à venda na Roots Records, no Centro Comercial ARS, na Capital, por R$ 30 e R$ 40 (no local será R$ 50). Para mais informações, procure por Vinicius Zimmerman (Vina da Caverna) nas redes sociais. E não esqueça do repelente!

LANÇAMENTOS

Gorillaz, Humanz – O quinto álbum do projeto liderado por Damon Albarn (Blur) mostra como nem as bandas virtuais conseguem se livrar maldição do retorno. O que era frescor no início do século virou uma xaropice sem fim, com a (des)vantagem de que ninguém ali é real para se sentir ofendido com as críticas negativas.

Delinquent Habits, It Could Be Round Two – Em 1996, eles despontaram com Tres Delinquentes. Sem jamais repetir o sucesso inaugural, o grupo –  ainda apadrinhado por Sen Dog (Cypress Hill) – desova uma nova leva de raps com a típica batida da costa leste dos Estados Unidos e uma ou outra rima em spanglish. Fica Over and Over como sinal de confiança.


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