Autobiografia Autorizada: Paulo Betti mostra tanto carinho com as próprias memórias que emociona Yasmine Holanda Fiorini / Agência RBS/Agência RBS

Espetáculo de Paulo Betti no Teatro Pedro Ivo

Foto: Yasmine Holanda Fiorini / Agência RBS / Agência RBS

Na entrevista que concedeu ao DC nesta semana, Paulo Betti contou que sua peça Autobiografia Autorizada tem 50% de humor, 25% de drama e 25% de poesia. O espetáculo, que está em curta temporada por Florianópolis neste final de semana, revisita o passado do ator e trata de temas como infância, família e morte de uma maneira leve e que faz com que o público se identifique de diferentes formas. 

Décimo quinto filho de uma camponesa analfabeta que trabalhava como doméstica no interior de São Paulo e de um pai esquizofrênico, Betti saiu do mundo rural para ser um ator aclamado no país (participou de quase 70 telenovelas e atuou em cerca de 30 filmes), mas, na peça, ele conta sua trajetória anterior ao sucesso e as histórias de sua família de origem italiana. O ator mostra, entre outros itens, a faca que a avó usava para matar porcos e um caderno onde costumava tomar notas e cujo material ali escrito ajudou na concepção da peça.

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

No palco, o ator mostra todo o carinho que tem por suas memórias. Ele relembra episódios de sua vida desde o momento em que nasceu até quando saiu da casa dos pais, comparando a pequena localidade de Sorocaba onde cresceu a Macondo, cidade fictícia criada pelo escritor Gabriel García Márquez em Cem Anos de Solidão. 

— Eu também sou do interior de São Paulo e tive uma experiência parecida, fiquei muito emocionado de ver detalhes que eu não me lembrava, e fui relembrando.  Você vê que é uma vida sofrida, mas é mágica para ele. É de uma riqueza, uma coisa muito bonita. Do ponto de vista cinematográfico, é lindo. Daria um filme maravilhoso — comenta o cineasta Pedro Rovai. 

Rovai e Mário Prata Foto: Yasmine Holanda Fiorini / Agência RBS

É nesse cuidado no trato com suas lembranças que estão os tais 25% de poesia. A maneira como Betti descreve as folhagens que a mãe plantava em latas de tomate, por exemplo, ou como ele fala sobre os momentos que presenciou e locais por onde passou quando andava com sua bicicleta até a casa do avô, emocionam. 

—  Esses pequenos detalhes que ele lembra. Eu tive uma infância mais tranquila que a dele, economicamente falando, mas é a mesma coisa, as músicas são da minha infância, o rádio. Essa peça pega a gente por essa memória que a gente tem. Acho que os jovens deveriam vir para ver como que era a vida. Andar descalço, pegar lambari, bagre, içá (formiga tanajura, uma iguaria gastronômica em algumas regiões do Brasil) —  conta o escritor Mário Prata, amigo de Betti, após o espetáculo. 

Quando os dois foram posar para a foto juntos, Prata confidenciou ao ator: "Foi como chorar sem estar chorando".

Prata e Betti Foto: Yasmine Holanda Fiorini / Agência RBS

Ator aproveitou para divulgar seu novo filme, A Fera na Selva

Antes da peça começar, Betti ficou no hall do teatro conversando com o público sobre seu novo filme, inspirado no livro homônimo do escritor Henry James e que tem também Eliane Giardini no elenco. A proposta do ator é fazer uma espécie de curso a distância para o estudo da obra - primeiro, ele sugere a leitura do livro, depois envia por e-mail o roteiro adaptado e, quando o filme estrear, o convite para que as pessoas assistam a ele. Quem for ver a peça neste sábado ou domingo e tiver interesse em participar pode deixar o contato anotado em uma prancheta logo na entrada do teatro.

Agende-se
Autobiografia Autorizada, com Paulo Betti
Quando: sábado, às 21h; domingo, às 20h. No sábado, haverá um bate-papo com o ator após o espetáculo
Onde: Teatro Pedro Ivo (Rodovia SC-401, 4.600, Saco Grande, Florianópolis)
Quanto: R$ 50. Sócios do Clube do Assinante têm 40% de desconto no ingresso à venda na bilheteria do teatro e no site Blueticket
Informações: (48) 3665-1630

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