Mallu Magalhães nunca foi tão mulher e brasileira quanto em Vem Sony Music/Divulgação

Artista paulistana radicada em Lisboa desde 2013 larga o folk do início de carreira e adota ritmos nacionais no quarto disco

Foto: Sony Music / Divulgação

Mallu Magalhães teve que se mudar para a outra margem do Atlântico para fazer seu disco mais brasileiro. No quarto trabalho solo, Vem, a paulistana radicada em Lisboa há quatro anos larga o folk com que despontou em 2007 e abraça ritmos nacionais. Conforme a relação do freguês com a obra da autora, a sonoridade dominante no repertório é digerida como demonstração inconteste de maturidade artística e pessoal ou simplesmente uma guinada sem volta rumo à MPB "universitária". Ambas as percepções se justificam.

A polêmica em torno do clipe de Você Não Presta, acusado de explorar dançarinos negros, colocou em segundo plano a excelência instrumental do álbum. Com produção do consorte Marcelo Camelo e arranjos do craque Mario Adnet, os timbres certos nos lugares certos com a potência certa realçam o frescor retrô de canções como Culpa do Amor ou Pelo Telefone. Uma suavidade que irriga a sensação de que tudo é diminutivo demais: o samba vira sambinha; a bossa, bossinha; borrando a fronteira entre delicadeza e diluição.  

Melhor sorte têm as músicas que não representam a essência do disco. As desbragadas Será que um Dia e Navegador seriam quase bregas, não fosse Mallu o suprassumo da fineza. Love You, a única em inglês, lembra a musa indie de uma nota só que ela não quis se tornar. E os toques de fado de Linha Verde remetem à cidade onde mora. Aos 24 anos, mãe de Luísa, 2, a mocinha que surgiu ainda adolescente cantando Tchubaruba tornou-se uma "gata da vida", como se define em São Paulo. Agora é que vai ficar bom.

Solo da chave-mestra
Um disco solo de um cara que lidera uma banda com somente mais um componente? E o segundo, já?! Pois é. Para quê? Aí vale aquele clichê: em Waiting on a Song, Dan Auerbach dá vazão a abordagens que não acha conveniente – afinal, ele manda – adotar em seu grupo-matriz, o Black Keys. A saber, uma pegada que descamba para o bailinho sessentista, mas engrena mesmo quando avança pelo velho oeste (King of a One Horse Town), encarna um Jack Johnson rural (Never in My Wildest Dreams) ou apela para a sexy Cherrybomb.


LANÇAMENTOS

Boogarins, Lá Vem a Morte – Os goianos lisérgicos disseram que se inspiraram muito em artistas experimentais como Flying Lotus no sucessor do aclamado Manual (2015). De fato, prevalecem programações eletrônicas, colagens e efeitos diversos. No meio de tanto conceito, brilha Onda Negra, careta como uma boa canção.

Snoop Dogg, Neva Left – Nada contra fazer um álbum que expressasse as várias fases da  carreira, como o rapper anunciou. O problema é que neste trajetória não faltam exercícios de autoindulgência, pilhas erradas ou só preguiça mesmo. Ainda bem que Go On evoca o groove de seu último grande trabalho, Bush (2015).

 

 


 DC Recomenda
 
 Comente essa história