5 discos para lembrar (ou esquecer) da primeira metade deste ano Montagem / Reprodução/Reprodução

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Como já é tradição, a passagem da primeira metade do ano impõe um balanço do que de bom, de feio, de sujo e de malvado saiu até agora. Quem desponta como favorito para a lista final, quem queimou a largada, quem será ainda lembrado em dezembro é coisa para se preocupar somente se por algum acaso as instituições deixem de funcionar. Por ora, o que importa é sublimar a apatia reinante e saudar a batida contagiante, o refrão afiado, a combinação de notas e timbres que parece já ter sido feita antes, de tão azeitada. Abaixo, cinco exemplos (em ordem alfabética) de discos que se enquadraram nesses parâmetros. Não esculache a lista: faça a sua e seja feliz.

Bike, Em Busca da Viagem Eterna | Expoente da renascença psicodélica brasileira, o quarteto paulistano flana bonito no segundo disco. Sol, grão de poeira, brisa, sonho profundo, fumaça roxa, essência, paz celestial, mar, portas da percepção, sapos flamejantes, montanha sagrada e estrelas formam a paisagem do caminho transcendental percorrido pelo ciclista cósmico. O destino é incerto, mas nem tão longe assim. A atmosfera densa é que deixa os movimentos mais lentos. OUÇA: Do Caos ao Cosmos, A Divina Máquina Voadora, O Retorno de Saturno

Curumin, Boca | O quarto álbum do baterista faz-tudo tem conceito, esbanja modernidade, investe em experimentações e talz. Bem da hora. Mas é ao assumir a (inegável) vocação pop já mostrada em 2011 com Compacto que o negócio fica facílimo de digerir. O samba pode ser torto; a bossa nova; errada; o reggae; enviesado: quando o refrão pega e o groove flui gostoso, a brisa refresca da cabeça ao baixo ventre, sem escalas. Tão brasileiro, tão universal, como manda a cartilha contemporânea. OUÇA: Terrível, Boca Cheia, Prata, Ferro, Barro

Dan Auerbach, Waiting on a Song | Faz tempo que a metade mais reluzente do Black Keys atingiu um estágio de regularidade que garante no mínimo nota 7 para sua música. Se estiver muito inspirado, porém, é grande a chance de o nível chegar à excelência. A segunda incursão solo do cidadão segue esse padrão. Nas faixas menos brilhantes, desfila como um bailinho retrô. Nos momentos em que recebe a visita das musas, enternece com doçura e atiça com picância. OUÇA: King of a One Horse Town, Never in My Wildest Dream, Cherrybomb.   

The Jesus and Mary Chain, Damage and Joy | Dezenove anos se passaram sem disco novo dos irmãos Jim e William Reid. Neste período, o rock se perdeu, o rap fez fortuna, a eletrônica virou axé. E ninguém superou – ou se interessou em superar – a manha dos manos escoceses em conjugar barulho com melodia. A surpresa é que eles voltaram mais alegres, com uma euforia quase adolescente. Mesmo soando meio datado, ainda exala um frescor capaz de seduzir novas gerações que não estão paradinhas. OUÇA: Amputation, All Things Pass, Always Sad.

 Sleaford Mods, English Tapas | Que bom que, em meio à afetação generalizada, sempre aparece um bando de desajustados fingindo-se de burros para desvirtuar um ou outro jovem sonhador. No caso, dois ingleses cheios de sotaque e inconformismo, como uma versão reduzida e atualizada dos Sex Pistols. A música é simples, direta, despida de quaisquer adereços que atenuem o nobre propósito de dar uma chacoalhada na apatia reinante. Ou apenas aloprar. O (dedo do) meio é a mensagem. OUÇA: B.H.S., Just Like We Do, Moptop.

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